O resgate da história, da fé e da identidade cultural marca o início das obras de restauração da Igreja de São Benedito e da revitalização completa do entorno da Comunidade Tia Eva, em Campo Grande. O projeto, executado pelo Governo do Estado, representa a retomada de um patrimônio simbólico que atravessa gerações e carrega a memória de um povo.
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Antes mesmo do começo das intervenções, o cronograma e os detalhes da obra foram amplamente debatidos com os moradores e descendentes da Tia Eva, garantindo respeito às tradições religiosas e ao calendário de festas da comunidade. A expectativa agora é de transformação, sem perder a essência histórica do local.
Descendente direto da pioneira, Antônio Borges dos Santos, de 70 anos, revive lembranças da infância ao acompanhar o avanço dos trabalhos. “Esse lugar faz parte da nossa vida. A igreja representa nossa fé, nossa cultura e nossa história. Ver essa restauração acontecer é como reconstruir a memória de quando éramos crianças”, relatou emocionado.
Interditada desde 2019, a Igreja de São Benedito é considerada o coração da comunidade. Para os moradores, o retorno das celebrações religiosas, encontros sociais e manifestações culturais simboliza a retomada da convivência coletiva. “Aqui aconteceram missas, casamentos, batizados, velórios e até atividades educacionais. Esse espaço sempre foi um ponto de união”, destacou Vânia Lúcia Baptista, moradora da comunidade há cinco décadas.
A obra prevê o restauro arquitetônico da igreja, a preservação de bens históricos — como o sino, o busto de Tia Eva e o cruzeiro de madeira — e a requalificação completa do espaço comunitário. O projeto também contempla a modernização do salão de eventos, construção de espaços educativos, banheiros acessíveis, áreas verdes, praça de convivência e um Centro de Atendimento ao Turista.
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Segundo a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), a prioridade neste momento é concluir a restauração da igreja antes da tradicional Festa de São Benedito, realizada em maio, e deixá-la pronta até novembro, quando se completa o centenário do falecimento de Tia Eva.
O investimento total é de R$ 2,213 milhões, em parceria com a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, e reforça o compromisso do Estado com a valorização da cultura afro-brasileira, da memória histórica e do fortalecimento das comunidades tradicionais.








