Nem toda violência deixa marcas visíveis. Em muitos casos, é o trabalho técnico da perícia que revela detalhes ocultos e transforma suspeitas em provas concretas. Em Mato Grosso do Sul, essa atuação tem sido decisiva para esclarecer crimes e fortalecer a rede de proteção às vítimas
LEIA TAMBÉM: Polícia Civil prende homem em flagrante por ameaça e injúria no âmbito da violência doméstica em Três Lagoas
A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul é responsável por identificar, coletar e analisar vestígios que ajudam a reconstruir a dinâmica dos fatos. Marcas no corpo, sinais no ambiente, registros digitais e materiais biológicos são peças-chave para investigações que, muitas vezes, não encontram respostas imediatas nos relatos iniciais.
Do sangue que alguém tentou apagar a mensagens deletadas e imagens de câmeras de segurança, cada elemento pode revelar inconsistências e apontar responsabilidades. Em alguns casos, exames de DNA ou impressões digitais são determinantes para ligar suspeitos ao crime ou até reclassificar ocorrências inicialmente tratadas como mortes suspeitas ou suicídios.
>>>SIGA O NOSSO INSTAGRAM: @MANCHETEPOPULAR
Estrutura presente em todo o Estado
A atuação da perícia alcança os 79 municípios sul-mato-grossenses. Na Capital, institutos especializados concentram diferentes áreas da produção técnico-científica. Já no interior, unidades regionais garantem o acesso da população aos exames periciais e agilizam o atendimento.
O trabalho envolve desde a análise do local do crime até exames médico-legais e laboratoriais, fundamentais para sustentar investigações e processos judiciais.
Provas que sustentam a verdade
Em casos de violência, como agressões, feminicídios e crimes sexuais, a perícia começa ainda na cena da ocorrência. Vestígios coletados ajudam a compreender o que aconteceu e são posteriormente analisados em laboratório.
>>>SIGA O NOSSO CANAL DO WHATSAPP
Nos exames de corpo de delito, lesões são documentadas com precisão. Já nos casos de morte violenta, exames necroscópicos esclarecem causas e circunstâncias do óbito, muitas vezes decisivas para a conclusão das investigações.
Atendimento humanizado avança
Além da produção de provas, o Estado tem ampliado o atendimento humanizado às vítimas, integrando a perícia à rede de proteção. Um dos exemplos é a unidade do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) instalada na Casa da Mulher Brasileira.
No local, mulheres vítimas de violência realizam exames no mesmo espaço onde recebem acolhimento e orientação, sem necessidade de deslocamento. A estrutura completa três anos com crescimento significativo nos atendimentos: foram 618 em 2023, 810 em 2024, 1.524 em 2025 e 385 registros apenas nos primeiros meses de 2026.
Em Dourados, o atendimento integrado também é realidade por meio do Projeto Acalento, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal da Grande Dourados, que reúne assistência à saúde e exames periciais em um único fluxo.
Espaços adaptados e mais acolhimento
Outra iniciativa é a implantação das chamadas “salas lilás”, ambientes reservados para o atendimento de mulheres vítimas de violência. A estrutura já funciona em Amambai e está em fase de implantação em Bataguassu.
Os espaços garantem mais privacidade e acolhimento antes da realização dos exames, reduzindo impactos emocionais e contribuindo para um atendimento mais adequado.
Qualificação e integração
A atuação pericial também envolve capacitação constante dos profissionais, com foco na condução técnica e no atendimento sensível às vítimas.
Segundo o coordenador-geral de Perícias, Nelson Fermino Junior, o trabalho vai além da emissão de laudos. “É uma atuação que exige preparo técnico, sensibilidade e integração com a rede de proteção, garantindo qualidade na prova e reduzindo a revitimização”, destaca.
Papel essencial na Justiça
Ao transformar vestígios em evidências, a perícia criminal desempenha papel fundamental na busca pela verdade. Mais do que esclarecer crimes, esse trabalho contribui para decisões judiciais mais seguras e para a proteção de vítimas que, muitas vezes, não conseguem expressar toda a violência sofrida.
No fim, é nos detalhes — muitas vezes invisíveis — que








