Carta das Fronteiras reúne diretrizes para orientar o desenvolvimento de territórios fronteiriços

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Carta das Fronteiras reúne desafios, oportunidades e compromissos voltados ao fortalecimento da integração e da governança territorial entre municípios, estados e países | Foto: Walker Fotografias
Carta das Fronteiras reúne desafios, oportunidades e compromissos voltados ao fortalecimento da integração e da governança territorial entre municípios, estados e países | Foto: Walker Fotografias

Representantes de diferentes regiões de fronteira do Brasil aprovaram, neste sábado, 29, a Carta das Fronteiras, documento construído coletivamente durante o encontro “Construção do Futuro nas Fronteiras”, realizado na trifronteira entre Barracão (PR), Dionísio Cerqueira (SC) e Bernardo de Irigoyen, na Argentina. O documento reúne desafios, oportunidades e compromissos voltados ao fortalecimento da integração e da governança territorial entre municípios, estados e países.

Promovido pelo Sebrae Nacional e pelo Sebrae/PR, o encontro ocorreu entre os dias 27 e 29 de agosto. Durante a programação, representantes de diferentes territórios compartilharam experiências, desafios e soluções relacionados ao comércio transfronteiriço, circulação de pessoas, infraestrutura, logística, turismo, legislação, empreendedorismo e ambiente de negócios.

A Carta das Fronteiras é resultado das discussões realizadas ao longo do encontro e organiza os principais desafios, oportunidades e compromissos identificados pelos participantes. A proposta é aproximar diferentes realidades fronteiriças e estimular a articulação entre instituições, poder público, setor empresarial e sociedade civil.

A Carta das Fronteiras é um posicionamento estratégico e um chamado para avanços de forma articulada, destacou Augusto Togni (à esquerda) | Foto: Walker Fotografias
A Carta das Fronteiras é um posicionamento estratégico e um chamado para avanços de forma articulada, destacou Augusto Togni (à esquerda) | Foto: Walker Fotografias

O gerente da Unidade de Políticas Públicas do Sebrae Nacional, Augusto Togni de Almeida Abreu, explica que a Carta das Fronteiras consolida os principais desafios, oportunidades e compromissos identificados durante o encontro e representa um instrumento para dar continuidade à articulação entre os diferentes territórios.

“A Carta reúne aquilo que é identificado como desafios e oportunidades comuns às diferentes regiões de fronteira, respeitando as particularidades de cada território. Ela é um posicionamento estratégico e um chamado para que possamos avançar de forma articulada. O Sebrae não faz nada sozinho. Precisamos envolver governos municipais, estaduais e federal, instituições, lideranças locais e os países vizinhos para transformar essas demandas em ações concretas, fortalecer os pequenos negócios e criar melhores condições para o desenvolvimento das regiões”, afirma Augusto Togni.

Entre os principais desafios apresentados na Carta estão as diferenças regulatórias, tributárias e cambiais entre países, as limitações de infraestrutura e logística, a necessidade de fortalecimento da governança institucional e questões relacionadas aos serviços de saúde, educação e segurança nas regiões fronteiriças. O documento também traz oportunidades, como o fortalecimento dos pequenos negócios, o turismo de compras, os instrumentos de integração previstos pelo Mercosul e experiências de governança territorial já existentes.

Para a prefeita de Dionísio Cerqueira (SC), Bianca Maran Bertamoni, o documento representa um passo para transformar em ações concretas a cooperação que já faz parte da realidade dos municípios fronteiriços, especialmente em temas que dependem da articulação entre diferentes cidades, estados e países.

“A Carta reúne demandas comuns dos territórios e pode contribuir para avançarmos em questões importantes, como legislação e mobilidade entre Brasil e Argentina. Somos um único povo, separado por linhas imaginárias, que compartilha histórias, famílias e culturas. Fortalecer essa integração é também criar possibilidades de desenvolvimento e projetar a nossa fronteira para o Brasil e para o mundo”, pontua Bianca.

O diretor-superintendente do Sebrae/PR, Vitor Roberto Tioqueta, no ato da assinatura do documento | Foto: Walker Fotografias
O diretor-superintendente do Sebrae/PR, Vitor Roberto Tioqueta, no ato da assinatura do documento | Foto: Walker Fotografias

No âmbito dos compromissos previstos na Carta, estão o fortalecimento das governanças territoriais, a ampliação de treinamentos binacionais, a integração de dados e geração de inteligência na área de segurança, a construção de uma agenda permanente de cooperação e o fortalecimento do turismo integrado e da inserção dos pequenos negócios em mercados regionais e internacionais.

“O mais importante é que esses compromissos não fiquem restritos ao encontro. As regiões de fronteira têm desafios que ultrapassam os limites de um município, de um estado ou até de um país, e por isso exigem articulação permanente. A Carta ajuda a organizar prioridades e a manter essa agenda em movimento, com foco em criar melhores condições para os pequenos negócios e para o desenvolvimento desses territórios”, afirma o diretor-superintendente do Sebrae/PR, Vitor Roberto Tioqueta.

Construção coletiva

A elaboração da Carta partiu da troca de experiências entre territórios que, apesar das diferenças geográficas, econômicas e culturais, apresentam desafios semelhantes. A participação de representantes de fronteiras do norte ao sul do Brasil possibilitou colocar diferentes realidades em diálogo, compartilhar iniciativas já desenvolvidas e identificar aprendizados que podem contribuir para soluções conectadas às características de cada região.

Um desses territórios é Oiapoque, no Amapá, município localizado no extremo norte do Brasil. Na divisa com Saint-Georges de l’Oyapock, na Guiana Francesa, o Rio Oiapoque marca o limite entre o Brasil e o território francês.

A analista e gestora de Projetos do Sebrae/AP, Graciele Dias de Sá, conta que a participação no encontro permitiu colocar a realidade do Amapá em diálogo com experiências de outras regiões e identificar desafios que, mesmo em contextos distintos, são compartilhados pelos territórios fronteiriços.

“O encontro mostrou que, apesar das distâncias e das particularidades de cada território, muitos dos nossos desafios são semelhantes. No Amapá, temos uma posição estratégica, mas precisamos transformar essa condição em oportunidades concretas. A Carta das Fronteiras contribui para organizar essas demandas, aproximar diferentes realidades e fortalecer um diálogo que precisa continuar para que possamos avançar no desenvolvimento das regiões de fronteira”, afirma Graciele.

Painelistas de diversas regiões do Brasil participantes do encontro “Construção do Futuro nas Fronteiras”, realizado na trifronteira entre Barracão (PR), Dionísio Cerqueira (SC) e Bernardo de Irigoyen, na Argentina | Foto: Walker Fotografias
Painelistas de diversas regiões do Brasil participantes do encontro “Construção do Futuro nas Fronteiras”, realizado na trifronteira entre Barracão (PR), Dionísio Cerqueira (SC) e Bernardo de Irigoyen, na Argentina | Foto: Walker Fotografias

Mato Grosso do Sul, por sua vez, faz fronteira com o Paraguai e a Bolívia e possui uma dinâmica marcada pelas relações culturais, comerciais, logísticas e turísticas com os países vizinhos. A analista técnica de Projetos de Territórios Empreendedores do Sebrae/MS, Ariana Gomes de Carvalho, destaca que as experiências compartilhadas durante o encontro reforçam a necessidade de continuidade e cooperação para o desenvolvimento desses territórios.

“O principal ganho é perceber que transformar uma região de fronteira é um trabalho de continuidade. A fronteira precisa ser vista como aproximação e não como distanciamento. Não é uma disputa sobre qual lado é mais desenvolvido, mas uma soma, uma cooperação. Quando colocamos as fronteiras como eixo de desenvolvimento, ajudamos a mostrar que elas também são lugares para viver bem, empreender, fazer turismo e gerar oportunidades”, conclui Ariana.

Adesão e continuidade

A Carta das Fronteiras recebeu a adesão de representantes de diferentes territórios e instituições participantes do “Construção do Futuro nas Fronteiras”, incluindo representantes dos Sebraes do Paraná, Amapá, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Distrito Federal e Pará presentes no encontro, além do Sebrae Nacional.

Mais do que encerrar as discussões realizadas durante o evento, o documento busca servir como referência para sua continuidade. A proposta é compartilhar a Carta, validar e aprofundar os encaminhamentos construídos durante o encontro, ampliar a adesão de atores ligados às regiões de fronteira e manter aberto diálogo sobre iniciativas de cooperação, integração e melhoria do ambiente para os pequenos negócios nesses territórios.

Compromisso e continuidade

A Carta das Fronteiras foi assinada pelas prefeituras de Dionísio Cerqueira (SC), Barracão (PR) e Bernardo de Irigoyen, na Argentina, além do Sebrae e pelo Comitê La Frontera, representado por seu presidente, Walter Feldman. O documento será compartilhado com o Sistema Sebrae, estados, municípios e países envolvidos, com o objetivo de ampliar a adesão às propostas e estimular a continuidade da articulação entre os territórios fronteiriços. O documento busca manter em pauta os compromissos construídos coletivamente e apoiar novas iniciativas de cooperação, integração e melhoria do ambiente para os pequenos negócios nos territórios.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

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