Com a taxa de desocupação mais baixa da sua história, Mato Grosso do Sul chega a um novo problema: o de sobra de vagas e falta de mão de obra qualificada para preenchê-las. É esse o cenário que o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, aponta como uma das prioridades do próximo ciclo — não mais criar empregos, mas torná-los mais bem pagos e mais qualificados.
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O novo desafio: de quantidade para qualidade
O estado encerrou 2025 com taxa anual de desocupação de 3%, a menor da série histórica estadual. No quarto trimestre, o índice recuou ainda mais, para 2,4%, um dos menores do país. Mesmo com a alta sazonal registrada no início de 2026 em diversos estados, Mato Grosso do Sul teria seguido abaixo da média nacional.
Só no último período anual computado, mais de 19 mil empregos formais foram criados entre construção, serviços, indústria, comércio e agropecuária. A renda média do trabalhador cresceu 64% entre 2021 e 2025 — sendo que 80% desse ganho veio diretamente de rendimentos do trabalho.
Mas o número que preocupa a gestão estadual não é o de vagas abertas, e sim o que vem depois: que tipo de emprego está sendo criado, quanto ele paga e que chance de crescimento oferece. Segundo o plano de governo, essa é a pergunta que passa a valer mais à medida que a desocupação se aproxima do piso histórico.
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As metas: motoristas e desenvolvedores em falta
Entre as propostas mais concretas do plano está a ampliação do Voucher Transportador, com o objetivo de dobrar os recursos do programa e habilitar ao menos 5 mil pessoas nas categorias D e E até 2030 — uma resposta direta à falta de motoristas profissionais no mercado.
Na área de tecnologia, a meta é formar pelo menos 400 novos desenvolvedores até 2030 por meio do Voucher Desenvolvedor, dentro de uma estratégia mais ampla de estimular inteligência artificial e tecnologias emergentes nos setores produtivos do estado.
O que já foi feito
Entre 2023 e 2026, mais de 500 mil qualificações profissionais foram realizadas em Mato Grosso do Sul, voltadas às cadeias produtivas consideradas estratégicas para a economia estadual. No mesmo período, a Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab) foi modernizada e passou a atuar nos 79 municípios do estado.
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Quem fica de fora precisa de atenção
O plano também prevê ações voltadas a públicos com mais dificuldade de acesso ao mercado de trabalho: fortalecimento de políticas de empregabilidade para jovens e grupos vulneráveis, integração entre assistência social e qualificação profissional, e a criação de um Programa de Emprego Apoiado com ao menos mil vagas para pessoas com deficiência.
Para catadores de materiais recicláveis, a proposta prevê um eixo de formalização e estruturação de cooperativas, com formação profissional e remuneração organizada.
A fala do governador
“A baixa taxa de desocupação mostra que Mato Grosso do Sul conseguiu ampliar o acesso ao trabalho; o desafio agora é fazer com que essa inserção venha acompanhada por produtividade, qualificação e renda crescente”, afirma Riedel.
Segundo o governador, o objetivo do próximo mandato vai além de preencher vagas: “Ele envolve criar condições para que as pessoas avancem dentro do mercado, atualizem conhecimentos e participem das novas atividades econômicas.”
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