Como pequenas empresas estão transformando boas intenções em práticas ESG reais

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Foto: Divulgação
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Para muitos pequenos negócios, saber que precisam avançar nos eixos ESG (ambiental, social e governança) é apenas o começo. O desafio está em entender por onde começar, quais práticas implementar e como transformar uma intenção em ações concretas. Foi a partir dessa percepção que o Sebrae estruturou, dentro da Plataforma Crescimento Sustentável, o pilar Apoio de Perto, uma atuação mais próxima das empresas, combinando dados, consultoria e acompanhamento para ajudar o empreendedor a trilhar a jornada ESG.

“A Plataforma Crescimento Sustentável trouxe pra gente uma demanda real de empresas que querem inserir as práticas ESG dentro dos seus negócios, dentro dos seus modelos, mas que muitas vezes não sabem como alcançar esse processo”, explica Mona Paula Nóbrega, gerente da Unidade de Negócios de Impacto do Sebrae-RN.

A percepção ficou ainda mais clara à medida que o Sebrae acompanhava o desempenho das empresas na plataforma. Havia muitos negócios interessados em conquistar o selo, mas poucos conseguiam avançar até a certificação. O motivo, segundo Mona Paula, era a falta de maturidade das práticas implementadas e, em muitos casos, das evidências necessárias para demonstrá-las. Com isso, o Apoio de Perto se tornou essencial.

“Tudo se inicia com esse diagnóstico inicial na consultoria. Toda a intervenção é baseada nos achados, junto com o empresário, sobre as práticas que ele possui dentro da organização”, afirma. A partir desse retrato, Sebrae e empreendedor constroem um plano de ação.

Sede da Escola Ekooa, em Parnamirim (RN) | Foto: Divulgação
Sede da Escola Ekooa, em Parnamirim (RN) | Foto: Divulgação

Consultoria que rende frutos

A experiência da Escola Ekooa, em Parnamirim (RN), mostra como esse processo pode fazer diferença. A instituição, que até um ano atrás era uma creche tradicional, já tinha práticas relacionadas à sustentabilidade antes de iniciar a jornada. O que faltava era registrar, organizar e evidenciar aquilo que já era feito.

“Nós fizemos essa parceria muito boa com o Sebrae. Iniciamos essa transição, saímos de uma educação infantil tradicional para uma bem diferente, voltada para sustentabilidade”, conta Erisvan Fernandes, gestor da escola. Segundo ele, houve treinamento e capacitação de toda a equipe.

A partir do acompanhamento, a escola estruturou um planejamento com ações, prazos e direcionamentos para a plataforma. A mudança ajudou a transformar práticas dispersas em uma estratégia mais organizada. A escola já possuía uma horta, por exemplo, mas ampliou a iniciativa e passou a produzir o próprio adubo por meio da compostagem de folhas e resíduos da cozinha. Também passou a reaproveitar a água da chuva e a água proveniente dos aparelhos de ar-condicionado.

O resultado foi também uma evolução na própria jornada de certificação. A Ekooa conquistou inicialmente o Selo ESG Sebrae Bronze e depois avançou para o Prata. “Nós já adotamos o ESG como uma ferramenta administrativa”, afirma. A sustentabilidade deixou de ser uma ação pontual e passou a fazer parte do dia a dia da instituição, nos “200 dias letivos do ano”, orgulha-se Erisvan.

Mona Paula Nóbrega, gerente da Unidade de Negócios de Impacto do Sebrae-RN | Foto: Divulgação
Mona Paula Nóbrega, gerente da Unidade de Negócios de Impacto do Sebrae-RN | Foto: Divulgação

Para Mona Paula, esse tipo de resultado ajuda a demonstrar o valor do acompanhamento. “O que a gente identificou foi que, de fato, o índice de sucesso delas depois de receber a intervenção da consultoria é muito maior na plataforma”, afirma.

No caso da Ekooa, a transformação gerou como frutos um público mais consciente com a questão ambiental e interessado em uma educação que foge do tradicional. “É um público que gosta de natureza, gosta que o filho saia da sala de aula de porcelanato e vá brincar na grama, vá brincar na areia, se suje na grama, tome banho de mangueira, e depois volte para a sala de aula”.

Para o futuro, Erisvan planeja iniciativas voltadas para o eixo social. “Estamos com um projeto que ainda está amadurecendo, que é fazer oficina para idosos. Como nós temos uma área muito verde, grande, vamos adotar oficinas de desenho, música e dança para os avós dos alunos”.

IA como ‘copiloto’ do processo

Após a preparação feita pelo acompanhamento especializado, que pode durar três meses, é o momento do empreendedor acessar a plataforma para fazer a comprovação das práticas sustentáveis. Depois que o usuário anexa as evidências na plataforma, a Inteligência Artificial entra em cena para avaliar os materiais enviados, gerando uma pontuação a partir da aceitação ou não das comprovações.

Depois deste processo, consultores humanos avaliam os retornos da IA para fazer uma dupla checagem. Quando finalizado, o nível de selo (Bronze, Prata, Ouro ou Diamante) é confirmado e disponibilizado na Plataforma Crescimento Sustentável.

Segundo Margarete Coelho, diretora de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, colocar dados e inteligência nas mãos dos consultores amplia a capacidade da instituição de compreender cada empresa, identificar oportunidades e orientar decisões. “A tecnologia funciona como um copiloto, mas são o conhecimento e a experiência do consultor que transformam essas informações em valor para o pequeno negócio”, afirma.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

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