O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta sexta-feira (11) a Operação Antidotum, que investiga suspeitas de fraudes e desvios de recursos envolvendo a Santa Casa de Campo Grande.
LEIA TAMBÉM: Copa do Brasil: Arena Mané Garrincha será o palco da final em Brasília
A operação cumpre seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão nos municípios de Campo Grande e Dourados, em Mato Grosso do Sul, e Goiânia, em Goiás.
Entre os presos está a diretora da Santa Casa, Alir Terra. Também foram detidos Rinaldo Hakme Romano e Monique Gregório de Oliveira. A ação tem como foco principalmente setores administrativos e financeiros da instituição.
>>>SIGA O NOSSO CANAL DO WHATSAPP
Contrato de R$ 5,4 milhões
De acordo com a investigação conduzida pelo Gecoc, foram identificadas fraudes e desvios de dinheiro em um contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para a prestação de serviços de digitalização de prontuários.
O contrato previa o pagamento de R$ 1,8 milhão por ano, com vigência de três anos, totalizando R$ 5,4 milhões.
Segundo o MPMS, ocorreram pagamentos elevados sem a devida contraprestação dos serviços. Somente no primeiro ano de vigência do contrato, o desvio de recursos teria alcançado R$ 1,4 milhão.
>>>SIGA O NOSSO INSTAGRAM: @MANCHETEPOPULAR
Empresas ligadas à direção também são investigadas
No decorrer das apurações, o Gecoc identificou ainda possíveis irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde, empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, com diversas empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico.
Conforme a investigação, o proprietário dessas empresas possuía ligações com integrantes da diretoria da Santa Casa. As empresas também estavam registradas no mesmo endereço, porém os investigadores constataram que o imóvel encontrava-se desocupado.
Somente em 2025, a Operadora Santa Casa Saúde teria realizado aproximadamente R$ 9,6 milhões em pagamentos para essas empresas.
A apuração aponta que as operações teriam provocado um prejuízo de pelo menos R$ 3,5 milhões à entidade. O valor total do prejuízo causado à Santa Casa, entretanto, ainda está sendo investigado e poderá ser atualizado conforme o avanço das apurações.
Contratos teriam sido ocultados de órgãos de controle
Outro ponto levantado pelos investigadores é que contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido sistematicamente sonegados aos órgãos de controle.
Entre os órgãos que, segundo o MPMS, não teriam recebido essas informações estão o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.
A investigação continua para identificar a extensão dos supostos desvios, o destino dos recursos e a eventual participação de outras pessoas nos fatos investigados.
Operação teve apoio da Polícia Militar
A Operação Antidotum contou com apoio operacional do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados (CDA) da OAB/MS.
O nome da operação, “Antidotum”, vem do latim e significa antídoto, contraveneno ou contramedida — uma substância ou recurso utilizado para neutralizar os efeitos nocivos de uma toxina. Em sentido figurado, o termo também pode representar uma solução contra determinado problema.








