O deputado Cezinha de Madureira, do PL de São Paulo, se valia da condição de parlamentar para passar a impressão de influência sobre ministros de tribunais superiores: Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior Eleitoral.![]()
Segundo a Polícia Federal, havia uma atuação continuada de três pessoas com papéis complementares e definidos. Cezinha, que supostamente teria um contato pessoal e direto com os ministros, Valéria Linhares que fazia o acompanhamento do assunto e cuidava dos honorários e da cessão de crédito e Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. Advogada que formalizava as causas e elaborava os memoriais.
Na decisão, Flávio Dino relata dois casos específicos. Um no valor de meio milhão de reais se tivesse uma decisão favorável em relação a anulação de uma ação contra a prefeita de Beberibe, no Ceará, Michelle Cariello Rocha. E outra, no valor de um milhão de reais – mas poderia chegar a dois milhões em caso de sucesso – referente à soltura de Denis Macedo, que foi Secretário de Educação de Belford Roxo, no Rio, e preso em fevereiro do ano passado numa operação que apurou desvios de recursos da educação.
A Polícia Federal reforçou que magistrados não são investigados. Ou seja, que não há elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos apurados.
Sobre os alvos: Cezinha de Madureira é pastor da igreja Assembleia de Deus Madureira. Já foi coordenador da Frente Parlamentar Evangélica e foi vice-líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara. Valéria Rodrigues, advogada, chegou a ser presa com 510 mil reais em dinheiro vivo no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em agosto. Na decisão desta segunda, Dino ainda determinou o envio para o STF das investigações sobre essa apuração. Para a polícia, o transporte físico de dinheiro configura operação “à margem do sistema financeiro”. Por fim, Mariângela Fialek, tinha um cargo na Câmara dos Deputados. É apontada como uma das responsáveis indicações da Comissão de Integração e pela coordenação da destinação de emendas parlamentares.
Em nota, a defesa de Cezinha de Madureira afirmou que o deputado está à disposição das autoridades e vai prestar os esclarecimentos necessários. Os advogados disseram confiar na Justiça e sustentaram que, com acesso da defesa aos elementos da investigação e ao processo, ficará demonstrado que não houve irregularidades. A defesa também afirmou que medidas de tamanha repercussão devem ser conduzidas sem interferência de circunstâncias políticas ou eleitorais.
*Com reportagem de Priscilla Mazenotti
Fonte: Radioagência Nacional – EBC








