
A inteligência artificial pode escrever textos, analisar dados, automatizar tarefas e acelerar a rotina de uma empresa. Mas há algo que ela não consegue fazer sozinha: colocar a casa em ordem. Quando problemas de gestão já existem, adotar uma nova tecnologia pode significar apenas fazer a mesma “bagunça” em maior velocidade.
Foi a partir dessa provocação que o diretor de Conteúdo e Curador do RH Summit, Leonardo Kaufmann, conduziu a palestra “Sem fazer gestão direito, não tem IA que dê jeito”, nesta sexta-feira (18), durante o GO!RN 2026, no Centro de Convenções de Natal. A atividade integrou a trilha de Modelagem e Estratégia de Negócios e trouxe um contraponto ao entusiasmo em torno da inteligência artificial: a tecnologia é uma ferramenta e seu uso continua dependendo de decisões humanas.
“É abrir a mente desse público para entender que a IA é uma ferramenta. Ela não vai resolver nada sozinha. No começo do processo a gente tem um ser humano e, no final, também. Se a IA fizer algo errado, quem vai responder é esse ser humano”, afirmou Kaufmann.
Para Kaufmann, um dos principais erros na adoção da inteligência artificial é tentar automatizar algo que a própria empresa ainda não consegue organizar. Para identificar esse cenário, ele propõe um exercício simples aos gestores.
“Um teste que faço muitas vezes é pedir que as pessoas expliquem seus próprios processos. Se elas não conseguem fazer isso com clareza, é sinal de que algo ainda precisa ser organizado. Nesse cenário, a tecnologia pode acabar apenas ampliando a bagunça”, destacou.
A reflexão levou a outro ponto central da palestra: o desafio de colocar as pessoas no centro das transformações impulsionadas pela tecnologia. “Em tecnologia, a gente evoluiu muito, tem ferramenta para tudo. Mas, quando olho para as pessoas, percebo que esse avanço não aconteceu na mesma velocidade. Desenvolvemos tecnologias, mas ainda precisamos olhar mais para as pessoas”, pontuou.
Mesmo com ferramentas cada vez mais avançadas, liderar equipes, desenvolver profissionais e assumir a responsabilidade pelas decisões continuam sendo atribuições humanas.
“A gente tem um mundo extremamente tecnológico, mas que não sabe olhar para as pessoas, não sabe fazer gestão de pessoas. E, por incrível que pareça, nenhuma empresa sobrevive sem gente”, acrescentou.
Esse olhar para as pessoas também passa pela formação de novos profissionais. Kaufmann chamou atenção para empresas que buscam trabalhadores plenos e seniores, mas deixam de investir em quem está começando a carreira. Para ele, desenvolver profissionais juniores faz parte do papel das lideranças e deve ser encarado como uma estratégia para garantir os talentos que as organizações precisarão no futuro.
“Se eu não contrato um júnior, como é que daqui a cinco ou seis anos vou ter um profissional pleno? Como vou ter seniores, novos líderes e especialistas? Onde esse profissional começa se ninguém está fazendo esse desenvolvimento?”, questionou.
Tecnologia com senso crítico
Em um evento marcado pela discussão de tendências e novas aplicações tecnológicas, Kaufmann defendeu que falar sobre os limites da inteligência artificial também faz parte do debate sobre inovação.
Para ele, conhecer as possibilidades oferecidas pela IA é importante, mas esse conhecimento precisa vir acompanhado da capacidade de avaliar quando e como utilizá-la e quais impactos ela pode gerar para o negócio.
“Quero trazer esse olhar para o humano, para o senso crítico e para a responsabilidade. Se algo der errado, é a pessoa quem vai responder por isso. Por isso, é preciso entender também o impacto que o uso da tecnologia pode ter no negócio”, afirmou.
A palestra integrou a programação do GO!RN 2026, que segue até este sábado (19), no Centro de Convenções de Natal. O evento reúne mais de 250 atividades em 14 palcos e 13 eixos temáticos, aproximando empreendedores, estudantes, pesquisadores e profissionais de discussões sobre inovação, tecnologia e negócios.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias







