Riedel rebate série de fake news de Fábio Trad e irrita petista no debate da Morena

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Eduardo Riedel (Progressistas) reagiu com firmeza a uma sequência de acusações infundadas feitas por Fábio Trad (PT) durante o debate da TV Morena, na noite de terça-feira (29). O petista tentou associar o governador a suspeitas de corrupção, ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ainda distorceu dados sobre habitação e políticas públicas. Em vários momentos, porém, as acusações ficaram no terreno da ilação, sem provas apresentadas durante o confronto.

O episódio mais evidente ocorreu quando Trad insistiu em perguntar se Riedel havia se encontrado com Vorcaro em Nova York, tentando estabelecer uma ligação entre o governador e o caso Banco Master. Riedel negou o encontro e afirmou que esteve nos Estados Unidos em agenda para atrair investimentos para Mato Grosso do Sul. Trad não apresentou agenda, fotografia, documento ou qualquer outro registro que comprovasse a reunião sugerida.

Trad seguiu pelo mesmo caminho ao tentar atribuir diretamente ao governo estadual episódios investigados na área da saúde, incluindo casos relacionados à Santa Casa. A associação ignora uma diferença básica: a Santa Casa é uma instituição de gestão privada, embora receba recursos públicos. Eventuais irregularidades precisam ter responsabilidades individualizadas e apuradas.

Riedel rebateu também ilações sobre leniência do Estado no combate à corrupção. Destacou que a existência de investigações não significa tolerância com desvios. Nos últimos três anos, a Controladoria-Geral do Estado recebeu 7.373 denúncias, todas apuradas. As investigações resultaram na sanção de 189 empresas e em R$ 25,8 milhões em multas aplicadas, por meio de Processos Administrativos de Responsabilização, a nove delas. O governador pontuou que a estratégia combina atuação da CGE, das unidades de controle interno e das corregedorias, além da cooperação com os Ministérios Públicos Estadual e Federal e com a Controladoria-Geral da União.

Riedel também afirmou que servidores envolvidos em suspeitas são afastados ou exonerados enquanto as investigações seguem pelos órgãos competentes. A gestão reforçou controles internos, corregedorias e mecanismos de licitação para reduzir riscos e ampliar a fiscalização. Para o próximo mandato, o plano de governo prevê ampliar programas de integridade, gestão de riscos, canais de denúncia e mecanismos de apuração, além de criar o Compliance Social para reforçar o acompanhamento de políticas e programas de transferência de renda.

Na habitação, Trad também recorreu a uma leitura equivocada dos números ao citar um déficit próximo de 78 mil unidades como se representasse dezenas de milhares de pessoas literalmente sem casa. Déficit habitacional não significa apenas ausência física de moradia: o indicador inclui famílias que vivem em coabitação, imóveis precários ou comprometem parcela excessiva da renda com aluguel. A simplificação usada no debate transforma um indicador técnico mais amplo em uma imagem que os próprios critérios de cálculo não sustentam.

O candidato do PT ainda recorreu a frases de forte efeito político, como a afirmação de que o governo “só chega depois que a mulher está no caixão”, ao tratar do feminicídio, e disse que o Estado estaria ausente diante do avanço das facções. Os problemas de segurança são reais e graves, mas a formulação absoluta ignora estruturas já existentes, como monitoração eletrônica de agressores, Salas Lilás, Promuse, medidas protetivas e integração entre forças estaduais e federais na fronteira. Ao fim de 2025, 753 pessoas estavam sob monitoração relacionada a medidas protetivas.

O confronto deixou exposta uma das principais linhas adotadas por Trad no debate: lançar suspeitas e generalizações sobre a administração estadual e exigir que Riedel respondesse a elas em poucos minutos. O governador reagiu cobrando provas, apresentou números oficiais e acusou o adversário de substituir propostas por informações falsas.

Em uma das trocas mais duras da noite, o governador chegou a advertir Trad para não comprometer a própria trajetória pública com acusações que não pudesse sustentar. “Vou me dirigir ao Fábio para se ater a propostas, não manchar sua biografia com fake news”, disparou Riedel, para irritação visível do petista.

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