Mercopar 2026: Grandes indústrias do RS revelam estratégias de competitividade

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Foto: Divulgação
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Uma fábrica de rapaduras, uma oficina que resolveu o problema dos freios na descida da serra e uma pequena estofaria de sofás e bancos de carro. Estes foram os pontos de partida simples que deram origem às três companhias reunidas nesta quinta-feira (22/10) no painel “Gigantes da Indústria”, no Palco Conhecimento da Mercopar: DaColônia, Randoncorp e Cavaletti. A Mercopar, a maior feira de inovação industrial da América Latina, é uma realização do Sebrae RS e do Sistema FIERGS e segue até sexta-feira (23/10) no Centro de Feiras e Eventos Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS).

A mediação foi de Juliana Ferreira Borges, que coordena a Carteira de Indústria do Sebrae. Ela lembrou que o foco da instituição são os pequenos negócios, mas que atuar com grandes empresas no desenvolvimento da cadeia de valor é uma das estratégias para torná-los competitivos. Juliana citou ainda a Jornada de Inovação da Indústria, realizada no ano passado pelo Sebrae com o Sistema Indústria, que apontou como grandes desafios a transição ecológica, a resiliência e a transição digital, e as pessoas como diferencial para enfrentá-los.

Willian Freitas, diretor da DaColônia e vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação e Bebidas do RS (SIAB-RS), representa a terceira geração da empresa, fundada em 1962 em Santo Antônio da Patrulha a partir da produção de rapadura. Hoje, a indústria tem cerca de 900 colaboradores.

Para preparar lideranças e reter talentos, ele destacou a autonomia, o apoio à formação, a escuta dos colaboradores e a valorização de quem já está na casa quando surgem oportunidades de crescimento. “O maior desafio é estar presente, porque, com profissionais que vêm de fora, é preciso estar muito próximo para que a cultura da empresa seja bem absorvida”, afirmou.

Willian também falou da cadeia de fornecedores: o melado usado na produção vem, em sua maioria, de pequenos produtores rurais de Santo Antônio da Patrulha, que fornecem à empresa há gerações, e a DaColônia investe em parceria com o Sebrae para apoiar a certificação e a qualidade desses fornecedores. Para o amendoim, a empresa compra principalmente de fornecedores estruturados de São Paulo.

Ricardo Escoboza, vice-presidente executivo para a América do Sul e COO da vertical de Autopeças da Randoncorp, apresentou o grupo, que, segundo ele, fatura cerca de R$ 13 bilhões e tem aproximadamente 17 mil funcionários no mundo. Ele lembrou que a empresa nasceu há 77 anos em Caxias do Sul a partir da capacidade de resolver um problema de clientes, ao aplicar o freio pneumático em caminhões que desciam a serra, e que se reinventou desde então: há dez anos, cerca de metade do faturamento vinha de semirreboques, e hoje são 23%, com as autopeças respondendo por 65%.

Escoboza também destacou o papel dos fornecedores. As montadoras clientes cobram segurança da informação, qualidade e inteligência artificial para manter a competitividade diante do avanço dos asiáticos, e esse nível de exigência precisa chegar a toda a cadeia. O mesmo vale para a sustentabilidade: segundo Escoboza, mais de 80% das emissões estão no chamado escopo 3, ligado aos fornecedores. “Sozinho a gente não faz tudo. É todo um ecossistema”, resumiu.

Mário Luiz Cavaletti, um dos fundadores da Cavaletti, de Erechim, contou que a empresa começou em 1974 como uma pequena estofaria familiar e se tornou uma indústria de cadeiras profissionais com mais de 800 colaboradores, produção média de 3,5 mil a 4 mil cadeiras por dia e cerca de 1,5 mil lojas parceiras no Brasil. Ele citou um modelo, desenhado por um designer europeu, que já vendeu mais de 1,2 milhão de unidades em seis anos.

Segundo Mário, a empresa verticalizou a produção, mantém um laboratório de ensaios auditado pelo Inmetro e ergonomista própria, foi pioneira na região em ginástica laboral e energia solar, e preserva relações de longo prazo com fornecedores e funcionários.

Para o empresário, sustentabilidade e inovação precisam ser conduzidas pela liderança. “Tem que ser de cima para baixo: tem que vir do líder, do acionista, do proprietário”, disse. Ele avaliou que o grande desafio da indústria moderna é usar mais a capacidade intelectual das pessoas e o mínimo possível da física, e contou que a Cavaletti já praticamente não tem atividades repetitivas.

Do melado ao aço, do estofado ao algoritmo, o painel deixou o mesmo recado: todo gigante começa pequenino, e constrói seu lugar de destaque com trabalho com trabalho e planejamento.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

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