Negociação com o centrão será desafio de Lula no novo Congresso

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© Lula Marques/Agência Brasil.
© Lula Marques/Agência Brasil.

Foi uma campanha inédita com uma virada inédita para um quarto mandato também inédito, assim como os desafios serão. O fato é que o presidente reeleito Lula sobe a rampa do Palácio do Planalto no dia 5 de janeiro e, quase um mês depois, em 1º de fevereiro, são os deputados e os senadores que tomam posse. E Lula vai encontrar um Congresso muito mais alinhado à direita.

A maior bancada nas duas casas será do Partido Liberal (PL), partido do adversário dele, Flávio Bolsonaro. Serão 121 deputados e 29 senadores. Se levarmos em conta os outros partidos, como o Progressistas (PP) e Republicanos, a direita terá mais da metade das bancadas, tanto na Câmara quanto no Senado. Com isso, há habilidade para negociar, para conversar e para entrar em acordo, principalmente com o centrão. Deverá ser a maior dificuldade. É o que avalia o coordenador acadêmico da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), Rogério Carlos Born.

“Ali, com certeza, ele vai ter que ter uma negociação para que esse centrão participe do governo de alguma forma. Então, tudo na vida será uma troca. Não que essa troca seja negativa ou positiva, mas vai ter que haver uma negociação, principalmente concedendo mais espaço para esse centrão. E é uma habilidade que o presidente Lula sempre teve. Agora, eu não sei, com a forma do próximo Congresso, se isso vai ser mais fácil ou mais difícil. Eu acredito que seja mais difícil.”

 O presidente Lula, no discurso da vitória, ainda na noite desse domingo, disse que muita gente afirma que ele terá dificuldades para governar por conta do Congresso mais oposicionista. Mas Lula cravou: “Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu e é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”.

A avaliação semelhante à do cientista político tem a especialista em direito constitucional Damares Medina, que completou: o eleitor também precisa ficar atento, acompanhar e participar do processo em todo o mandato, não só no dia da eleição.

“Nós sabemos que, para o nosso presidencialismo, o Congresso Nacional é fundamental para que o próprio presidente possa governar, exercer seu mandato. Agora, eu sempre tenho chamado a atenção para essa postura do eleitor, que precisa ser permanente, de fiscalização permanente. Tudo que está na Esplanada dos Ministérios é nosso.”

Ela ainda chama a atenção para mais uma lição aprendida nessa campanha: a de que as plataformas, as novas tecnologias podem e devem ser não apenas um instrumento de mobilização, mas de fiscalização. É o exercício contínuo do direito do cidadão de ver o voto que ele depositou, aliás, que nós depositamos, sendo cumprido no dia a dia dos nossos candidatos eleitos.

Fonte: Radioagência Nacional – EBC

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