O luto é encarado de diversas formas, a depender da cultura de cada país. A perda de um ente querido costuma ser acompanhada por sentimentos de saudade, tristeza e outras emoções. No dia de finados, as homenagens àqueles que partiram se juntam a diferentes formas de recordar o vínculo um dia criado. 
A perda de alguém próximo, muitas vezes, pode trazer mudanças bruscas na vida de quem fica. Assim, podem ocorrer episódios de depressão e outras dificuldades de seguir adiante. A psicóloga Karina Brum lembra que o dia de finados pode ser uma oportunidade para expressar os sentimentos.
“Sentir a perda com mais intensidade nessa data significativa de 2 de novembro não deve ser considerado necessariamente um retrocesso ao processo do luto. É normal existir comportamentos como visitar o cemitério, reunir a família, fazer uma oração ou preparar uma comida que remeta a pessoa falecida. Isso tudo cria oportunidades de expressar os sentimentos, de compartilhar memórias, de receber apoio, inclusive de criar uma rede de apoio.”
Karina Brum reforça que o acolhimento pode ser importante nesse momento de luto.
“Perguntas como “Você quer conversar ou prefere que eu fique aqui com você?” ajudam a respeitar essa escolha. O acolhimento cria um contexto em que expressar tristeza, saudade ou outras emoções seja bem-vindo e não simbolize crítica ou cobrança. Frases como Você precisa ser forte’ ou já está na hora de seguir em frente’ com certeza dificultam o processo. É muito mais acolhedor reconhecer a perda e dizer, por exemplo, “não sei exatamente o que você está sentindo, o que é isso para você, mas estou aqui para te ouvir”.
Assistência psicológica
Grupos de apoio também podem auxiliar durante o luto. O grupo Mães Sem Nome, criado em 2011, reúne mulheres que sofrem com a perda de filhos. O projeto oferece atendimento gratuito para mães enlutadas, com assistência de 25 psicólogas voluntárias que atuam de forma presencial ou virtual.
A psicóloga Márcia Noleto, fundadora do grupo, destaca a importância de buscar ajuda e não enfrentar a dor sozinha.
Nós acreditamos que o acesso ao cuidado psicológico especializado em luto é fundamental e que essa contribuição precisa alcançar também aquelas pessoas que, por uma razão socioeconômica, não têm acesso a esse serviço de psicoterapia. Então, nós compreendemos que acolher essas mães é reconhecer sua dor, respeitar suas histórias e garantir que não precisa enfrentar sozinhas essa experiência tão profunda e tão transformadora.
Márcia Noleto ressalta que o dia de finados é o momento de intensificar a saudade, mas que é importante compreender as lágrimas e descobrir como seguir vivendo sem deixar de amar.
“E lembrar que ninguém precisa sofrer na solidão. Existem várias formas de amar e a ausência, em hipótese alguma, ela anula esse amor que a gente sente. Esse amor permanece em nós, né? Então ele nunca é apagado, ele nunca é esquecido. Então, é um dia para que cada um encontre o seu jeito de celebrar e de se aproximar daqueles que já foram e que nós continuamos amando e muito.
O grupo Mãe Sem Nome pode ser contatado pelas redes sociais, como no Instagram, pelo arroba @maesemnome2023.
*Com colaboração de Sarah Quines.
Fonte: Radioagência Nacional – EBC







