Mato Grosso do Sul registrou em 2025 coberturas vacinais de 100,4% para BCG, 101,1% para hepatite B em menores de 30 dias e 98,4% para pneumocócica 10-valente. Com resultados positivos, os indicadores de 2026 apontam oportunidades de avanço na ampliação da vacinação nas regiões de fronteira.
O cenário foi apresentado pela Vigilância em Saúde da SES-MS (Secretaria de Estado de Saúde) durante a Oficina Binacional de Vacinação Brasil–Paraguai, realizada no final de outubro, em Foz do Iguaçu, no Paraná.
Os dados do Painel DEMAS (agosto/2026), do Ministério da Saúde, mostram que Mato Grosso do Sul apresentava cobertura de 91,5% para a primeira dose da tríplice viral, 85% para poliomielite e 83,1% para a pentavalente. O levantamento também evidencia diferenças entre os municípios, reforçando a importância de estratégias específicas para ampliar a imunização nos territórios fronteiriços.
Os índices de cobertura vacinal podem ultrapassar 100% em razão de diferenças entre o número de doses aplicadas e a população estimada para determinado público-alvo. Por isso, esses percentuais devem ser interpretados como indicadores de acompanhamento, não significando necessariamente que toda a população esteja imunizada.
Foi nesse contexto que representantes do Brasil e do Paraguai se reuniram para alinhar os programas de imunizações e construir estratégias conjuntas. O encontro reuniu representantes dos Ministérios da Saúde dos dois países, da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), das Secretarias de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul e do Paraná e de municípios fronteiriços.
Um dos destaques da discussão foi a dimensão territorial da proposta: 12 municípios sul-mato-grossenses estão relacionados à pactuação binacional, enquanto outros nove aparecem como proposta de inclusão, totalizando 21 municípios no planejamento apresentado pela Vigilância em Saúde da SES-MS.
A pactuação contempla Corumbá, Porto Murtinho, Bela Vista, Amambai, Aral Moreira, Ponta Porã, Coronel Sapucaia, Paranhos, Mundo Novo, Eldorado, Iguatemi e Tacuru. A proposta de ampliação inclui Ladário, Miranda, Juti, Japorã, Dourados, Antônio João, Itaquiraí, Naviraí e Sete Quedas. A apresentação também identifica duas regiões de fronteira envolvidas na estratégia: Sul Fronteira e Pantanal.
Segundo a secretária adjunta da SES-MS, Crhistinne Maymone, o encontro foi uma oportunidade de promover o intercâmbio de experiências, identificar semelhanças e diferenças entre os programas de vacinação e discutir os principais desafios enfrentados nos territórios que fazem divisa entre os dois países.
“A partir do diagnóstico das realidades locais, os participantes trabalham na construção de estratégias voltadas à comunicação, à mobilização da população e ao fortalecimento das ações de imunização. A iniciativa busca transformar as experiências compartilhadas em medidas articuladas, considerando as necessidades das comunidades que vivem nas regiões de fronteira”, acrescenta a secretária.
A programação também abordou a pactuação e a operacionalização de planos de ação, com definição de responsabilidades, cronogramas, indicadores, metas e mecanismos de articulação entre Brasil e Paraguai. “A organização dessas medidas é uma etapa importante para estruturar a cooperação entre os países e orientar a implementação das estratégias discutidas”, afirmou Maymone.
O encontro contou com representantes dos municípios de Ponta Porã, Mundo Novo e Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, além de Foz do Iguaçu, no Paraná. Também participou o assessor técnico do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Sandro Terabe.
A iniciativa reforça a importância da cooperação binacional para compartilhar informações, alinhar estratégias e fortalecer a vigilância e a vacinação. Nas regiões de fronteira, a integração entre os serviços de saúde dos dois países pode ampliar o alcance das ações e contribuir para uma proteção mais abrangente das populações.
Alexandre Gonzaga, Comunicação SES
Foto: Bruno Rezende/Secom-MS (arquivo)
Fonte: Governo do Estado de MS







