Escolher uma profissão, estudar, se formar e perseguir a carreira desejada. A falta de apoio e a necessidade de cuidar da família e dos filhos fazem com que esse percurso seja adiado para muitas mulheres.
No caso de Zélia José dos Santos, de 72 anos, esse sonho não ficou para trás, e ela se inscreveu no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para ingressar na faculdade.
“Não tive oportunidade quando nova. Tive família, precisava cuidar dos filhos, trabalhava fora de casa. Agora, resolvi cuidar de mim”, conta, em entrevista à Agência Brasil.
A dona de casa decidiu retomar os estudos e quer se formar em serviço social. Persistente, ela já prestou o Enem por vários anos e, em 2026, buscou o apoio do pré-vestibular do Sindicato dos Servidores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Sintuperj).
“Estou ansiosa para domingo, mas estou mais preparada”, responde ela, confiante.
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Assim como Zélia, a técnica de enfermagem Paula Cristina dos Santos, de 55 anos, também tenta há muito tempo passar no Enem.
Ela conta que foi mãe na adolescência e teve que se dedicar à família e ao trabalho.
“Eu consegui uma nota para fazer fisioterapia, mas o que eu quero é medicina. Quero continuar na saúde. É um desafio grande, pela idade, pela doença de fibromialgia que me incapacita muito. Mas nunca é tarde para sonhar”.

90 questões e redação
No primeiro dia de provas, neste domingo (8), os participantes responderão a 90 questões objetivas de linguagens e ciências humanas, todas de múltipla escolha, além de desenvolver um texto.
A professora de redação do pré-vestibular do Sintuperj, Érika Rodrigues, dá dicas sobre como melhorar a produção textual para a prova.
“Coerência precisa ser um dos pilares da argumentação. A gente recomenda ler bastante, ter repertório sócio-cultural. Mas não basta só citar esse repertório, tem que relacionar com esse argumento. Essa é uma das dificuldades que os alunos têm, mas, se eles treinarem, conseguem”, diz Érika.

No curso popular no campus Maracanã, a professora trabalhou diversos eixos temáticos ao longo do ano, como tecnologia, cidadania, meio ambiente, o eixo social e político.
“A tecnologia é uma das apostas desse ano, porque vivemos um momento de alerta. O tema mexe não só com a interpretação de texto, mas também com a inferência daquela informação. Alertamos os alunos a terem cuidado com a desinformação. Um dos pilares da interpretação do texto é reconhecer uma desinformação”, afirma Érika.
O Pré-Vestibular Sintuperj foi criado em 1998 por um grupo de servidores, pensando no seu crescimento profissional.
Depois, o curso abriu vagas para a comunidade externa e conseguiu aprovar mais de 2 mil alunos para as universidades públicas federais e a própria Uerj.
Fonte: Agência Brasil – EBC







