Com ternura e resistência, espetáculo ‘Valente’ emociona estudantes e transforma palco em poesia no Campão Cultural

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Com ternura e resistência, espetáculo ‘Valente’ emociona estudantes e transforma palco em poesia no Campão Cultural

Em cena, uma mulher e sua cachorra. Ou melhor, uma palhaça e uma companheira de quatro patas — feita de pano, mas carregada de alma. Foi assim que Valente, espetáculo solo da atriz Lori Moreira, da Companhia Caxangá, encantou estudantes, professores e demais pessoas que ocuparam o auditório da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, nesta sexta-feira (4), durante mais uma intervenção do Campão Cultural 2025.

Vinda de Minas Gerais especialmente para o festival, Lori apresenta Madame Lorota, uma palhaça que já foi artista renomada, mas agora circula com sua arte em ruínas — embora cheia de brilho nos olhos e resistência na alma. “Como o palhaço é bem essa linguagem do encontro, eu busco sempre entregar a minha verdade”, contou Lori. “É me conectar de verdade com as pessoas daquele lugar, entender um pouco daquelas pessoas e poder deixar um pouquinho de mim também”.

A encenação começa com Lorota limpando o espaço, arrastando malas, ajeitando objetos e tentando dar conta de tudo ao mesmo tempo, enquanto Valente, sua cadelinha fiel, a acompanha. A comicidade surge no detalhe, no olhar, no gesto exagerado que convida ao riso — mas também à identificação. O espetáculo fala de fracasso, persistência, ternura e doçura, costurados por uma presença cênica afetuosa e por uma escuta ativa do público.

Com ternura e resistência, espetáculo ‘Valente’ emociona estudantes e transforma palco em poesia no Campão Cultural

Na plateia, uma turma inteira de estudantes do curso de Teatro da UEMS assistia à performance com olhos atentos. Para Luiz Eduardo da Silva Rodrigues, de 18 anos, aluno do primeiro semestre, a experiência foi marcante. “Achei muito legal, valente mesmo. E muito fofo também”, disse, após a apresentação. “A história de uma artista que já foi renomada e agora está vivendo um fracasso. Isso me tocou muito”.

A surpresa cênica também arrancou risos. Luiz contou com empolgação o momento em que a cachorrinha de Lorota aparece em cena — um boneco manipulado que, em dado momento, salta em direção ao público. “Eu achei que era um cachorro de verdade! Ou uma pessoa fantasiada de cachorro! Quando vi que era um boneco, a gente começou a rir bastante”, explicou. 

Ao lado de Luiz, Kelvin Vinícius de Souza, 33 anos, estudante surdo do terceiro semestre do curso de Teatro, também se emocionou com a apresentação. “Foi uma satisfação estar neste momento aqui. Toda a parte visual, a expressão dela, os movimentos, mexeram muito comigo. A iluminação, o figurino, o dom que ela tem”, descreveu, em Libras, com auxílio de intérprete.

Kelvin assistiu ao espetáculo ao lado da avó, Euniria Marcelino de Souza, de 80 anos, e disse que esse momento teve um significado profundo. “Devo muito a ela. Toda essa influência, todo esse avançar acadêmico eu devo à minha avó”, afirmou com emoção. “Foi um momento bem gostoso. Um espetáculo que pareceu revelar algo que estava escondido dentro de mim”.

Apaixonado pela linguagem visual do teatro, Kelvin também compartilhou seu sonho: tornar-se palhaço. “Quero criar algo que una Libras e o movimento do corpo para emocionar tanto o público surdo quanto o ouvinte. Um espetáculo visual que atinja todos”, disse.

Espetáculo e cidade: encontro generoso

Para a atriz Lori Moreira, estrear em Campo Grande foi um presente. “É a minha primeira vez aqui. Achei a cidade muito ampla, parece até cidade litorânea. A receptividade das pessoas foi sensacional. Muito aberta, simpática. Estou encantada”.

A atriz e palhaça também comentou a importância de um festival como o Campão Cultural para o fortalecimento da arte pública. “Não só pela valorização da arte de rua, mas porque a programação é muito extensa e descentralizada. Isso permite que as pessoas realmente tenham acesso. Os festivais às vezes se concentram demais no centro. Aqui não. Tem coisa na cidade inteira. E isso é fenomenal”.

Ao falar da troca com os estudantes, Lori destacou a potência do encontro. “Fiquei nervosa antes de entrar. Sabia que eram alunos de teatro e queria homenagear a teoria deles com minha prática. Mas é isso: a palhaça chega, brinca com quem tá ali. Não importa se é criança, adulto, jovem, idoso. O que importa é o encontro. O que a gente produz disso é único”.

O Campão Cultural segue com programação até domingo (6), com encontros e diversas atividades para o público no centro e nos bairros da capital. Para conferir a programação completa, acesse o site https://mscultural.ms.gov.br ou siga a página oficial @festivalcampaocultural no Instagram.

Lucas Castro, Comunicação Setesc
Fotos: Daniel Reino/Setesc



Fonte: www.fundacaodecultura.ms.gov.br

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