Grupo de percussão agitou público campo-grandense em uma das apresentações mais marcantes do festival
Na sexta-feira, 4 de abril, o grupo de percussão Bojo Malê levou música, ancestralidade e força coletiva à Praça do Rádio Clube, em Campo Grande, durante o Campão Cultural 2025. Fundado há mais de 20 anos pelo maestro Chico Simão, o grupo abriu sua participação com um cortejo contagiante durante o pôr do sol que percorreu o espaço da praça, aproximando o público e criando uma atmosfera de celebração popular.
“A gente gosta muito dessa interação no chão, perto das pessoas. Essa vivência é muito importante pra gente, é parecida com o que fazemos no Carnaval. O cortejo tem esse papel de abrir caminhos e conectar quem está ali com a força da percussão”, explicou Chico Simão, diretor e fundador do grupo.
Após o cortejo, os músicos seguiram para o palco da Praça do Rádio e deram sequência à apresentação com repertório inspirado no samba-reggae, incluindo homenagens ao bloco afro Ilê Aiyê, que completa 50 anos em 2025. O show teve cerca de uma hora de duração, com destaque para os cantos entoados pelo grupo, além da potência coletiva dos tambores e da presença cênica construída em cada compasso.
Com um trabalho reconhecido em Mato Grosso do Sul, Bojo Malê se destaca também pelo trabalho de formação que realiza ao longo do ano. O grupo oferece oficinas de percussão em Campo Grande, com foco na pesquisa e prática de ritmos da cultura popular. Os participantes aprendem com Chico Simão e têm a oportunidade de se integrar às apresentações.
A atriz Fran Corona é uma das alunas que hoje também se apresenta com o grupo. “Entrei na oficina no começo do ano passado, e foi muito legal porque a gente foi construindo um repertório e agora está podendo tocar juntos. Participar do Campão é muito gratificante, porque sentimos que o conhecimento compartilhado nas oficinas encontrou seu lugar no palco e na rua.”
Durante a apresentação, era visível o encantamento do público, pessoas dançavam, registravam com os celulares e acompanhavam atentas cada batida. A Praça do Rádio, um dos pontos históricos da cidade, se tornou um espaço de conexão cultural e celebração coletiva.
Uma das pessoas que aproveitou a apresentação foi a professora aposentada Telma Silva dos Santos, que mora nas proximidades da praça e trouxe até uma cadeira para aproveitar a noite. “Não tem coisa melhor do que ficar ao ar livre, curtir uma música melhor ainda de graça! Estou aproveitando o momento.” E completou com bom humor: “Trouxe cadeira, água gelada e uns troquinhos para depois comer um lanchinho.”
A participação do Bojo Malê foi um dos momentos marcantes do festival. O grupo mostrou que cultura popular, quando vivida de forma coletiva e acessível, é capaz de transformar espaços e criar laços profundos entre artistas e comunidade.
Texto: Evelise Couto
Fotos: Altair dos Santos