O Campão Cultural – III Festival de Arte, Diversidade e Cidadania acontecerá na Capital sul-mato-grossense entre os dias 27 e 30 de março e entre 4 e 6 de abril, contando com intensa programação em diversos locais e atrações artísticas espalhadas pela cidade. Intervenções de graffiti vão fazer parte da programação dentro do Circuito Comunidades, nos bairros.
LEIA TAMBÉM: Campão Cultural terá contação de histórias em escolas de Campo Grande
O Circuito Comunidades, neste ano, vai trazer intervenções de graffiti no Parque Tarsila do Amaral, no Poliesportivo Mamede Assem José, na Vila Almeida, no Complexo Poliesportivo do Parque Ayrton Sena, no Aero Rancho e no Complexo Poliesportivo do Parque Jacques da Luz, nas Moreninhas.
A programação do Circuito Comunidades é bem variada e acontece na primeira semana do Festival Campão Cultural, que vai de 27 a 30 de março de 2025. Na quinta-feira (27), a programação começa com a intervenção de grafite na Vila Almeida com Diego Zori (Verme).
ENTRE NO NOSSO CANAL E RECEBA AS NOTÍCIAS EM PRIMEIRA MÃO!
A proposta parte de reflexões sobre o papel do graffiti em sua resistência, indo além da crítica social, que permeada pela livre expressão, abre um diálogo híbrido entre contemporaneidade e tradição, unindo duas expressões da cultura popular, a arte urbana, e o folclore. O Mural Graffiti ilustra a “Lenda Tuiuiú”, uma lenda do folclore de MS, que tem como palco o bioma pantaneiro, e traz como personagens centrais um casal indígena e os tuiuiús, aves símbolo do pantanal sul-mato-grossense. Na narrativa estética, pela imaginação poética, há uma conciliação articulada da arte visual clássica em si, com o graffiti, e, em paralelo, o mural fundamentado pela inovação, agrega um código QRCode, como parte da obra, para interagir conexão, via celular, com um vídeo gravado ao vivo durante o processo da pintura, e editado com a narração da lenda em áudio, com duração aproximada de 1 a 2 minutos. O vídeo será impulsionado nas plataformas digitais e redes sociais.
SIGA O NOSSO INSTAGRAM: @MANCHETEPOPULAR
“A Lenda explica a tristeza do Tuiuiú”: Não se tem conhecimento de quem criou a lenda, nem de qual etnia seria o casal indígena, e há algumas versões, mas no geral, conta-se que as aves sempre foram alimentadas por um casal indígena, que após a morte, foram enterrados no local onde costumavam alimentá-las. Os tuiuiús, em busca de alimentos, esperavam sobre o monte de terra que cobria os corpos do casal, como a alimentação não acontecia, ficavam olhando para o chão, cada vez mais tristes. Desfecho da história: por este motivo a lenda explica a tristeza dos Tuiuiús, que aguardando o alimento, olhando para o chão parecem estar sempre tristes, e/ou, que a tristeza é resultado do lamento pela morte dos amigos. A princípio, esta é uma proposta que pauta sua relevância na transversalidade da arte e cultura, com a tecnologia da informação, e esbarra nas políticas públicas da educação, intervindo e colaborando nos processos formativos e informativos, com inclusão, ao disponibilizar ferramenta tecnológica, e promover o conhecimento sobre o folclore de MS, principalmente para alcançar um público alvo de adolescentes e jovens, os maiores apreciadores do graffiti.
LEIA TAMBÉM: Palco Soul promete encontros memoráveis no Campão Cultural com grandes nomes da MPB, Soul e Samba
Na sexta-feira, dia 28, o Circuito Comunidades vai ao Tarsila do Amaral com intervenção de grafite com Naipe (Willian da Silva Santos), no período da manhã. Com a proposta intitulada Graffiti Pantaneiro, com uma abordagem lúdica e personagens cativantes, a proposta visa transmitir a grandiosidade da natureza e nossa dependência dela para existir. Além disso, a arte que retrata o rosto indígena nos convida a refletir sobre nossas origens e a reconhecer que a relação com a fauna deve ser harmoniosa.
Willian da Silva Santos, 29 anos nasceu em Campo Grande, MS, e desde 2013 vem realizando graffitis pela cidade. Nesse período, começou a desenvolver letras e personagens com tintas látex e spray, criando uma identidade única sob o nome artístico ‘Naipe’. Seus trabalhos trazem sempre cores vibrantes e personagens com características engraçadas no estilo cartoon. Além dos graffitis nas ruas, também atua na produção de murais e projetos comerciais utilizando a técnica do graffiti. Atualmente, cursa Artes Visuais na UFMS.
No sábado, dia 29, é o dia da programação no Aero Rancho, no Parque Ayrton Sena, com a intervenção de grafite com Gaara (Michael Douglas Gomes dos Santos), no período da manhã. A proposta Tekoha visa trazer um pouco da Essência e da origem da cultura do graffiti, com as tradições das letras, bem coloridas, com sobras e profundidade e elementos para agregar na formar artística urbana.
LEIA TAMBÉM: Pantanal Film Festival segue no Campão Cultural com exibições no MIS nesta terça-feira (25)
“Eu faço parte da cultura hip hop desde 2008, em 2013 conheci o graffiti, que foi quando eu comecei a pesquisar esta arte. A partir daí o graffiti começou a se tornar algo mais relevante, quando eu comecei a perceber a importância dessas intervenções de rua, essas intervenções que a gente faz pintando, trazendo um pouco da essência do graffiti, um pouco da história de como começou. O graffiti é uma coisa que muda bastante a visão de a gente entender, deixar algo mais colorido, mais alegre, feliz, eu acho muito bacana a gente estar desenvolvendo essas intervenções”.
No domingo, dia 30, nas Moreninhas, no Parque Jacques da Luz, será realizada a intervenção de grafite com Gabriel da Silva Corrêa, a partir das 8 horas. A obra busca representar o estado de Mato Grosso do Sul, reunindo em suas referências nossos monumentos históricos e a população. O processo de montagem dos elementos passou por várias modificações, na tentativa de definir a simetria e, ao mesmo tempo, o movimento das formas e cores. Esta arte simboliza o que somos e onde estamos. A premissa parece simples, mas perceber nossa identidade e tê-la representada pode ressignificar uma reflexão ideal e gerar novas considerações, para que assim possamos valorizar nosso espaço.
O Festival é realizado pelo Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Setesc (Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura) e FCMS (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul).
Texto: Karina Lima
Foto: Acervo do grafiteiro Verme