Durante o Campão Cultural, Show “Retomada” apresentou 13 músicas e contou com participações especiais
O grupo de rap indígena Brô MC’s lotou o Teatro Aracy Balabanian, no Centro Cultural José Octávio Guizzo (CCJOG) na noite deste sábado (29), em Campo Grande.
Providencialmente batizado de “Retomada, o show apresentou 13 músicas autorais, que abordam temas da difícil realidade das comunidades indígenas sul-mato-grossenses, como violência e violações de direitos, luta dos povos originários por sua terra e cultura, preservação ambiental, entre outros, e contou com participações especiais do grupo Falange da Rima, Jerry Espíndola e Rodrigo Teixeira, além de Marina Peralta, de forma remota.
Com quase 40 anos de carreira, Rodrigo Teixeira considera o Brô MC’s uma experiência musical que serve de muitas lições. “Primeiro porque eles vivem uma realidade até difícil de entender para quem não vive aquilo e segundo porque é chocante perceber a disparidade, eles chegaram aonde chegaram, mas o grupo sofre muitas dificuldades no próprio quintal, no próprio estado. Tenho muito respeito pela trajetória deles”, comentou Teixeira, que faz parte do trio Hermanos Irmãos, junto com Jerry Espíndola e Márcio de Camilo, trio que compõe o projeto Fronteira Guarani ao lado de Alzira E., Marina Peralta e Brô MC’s.
Para Clemerson Batista, que ao lado de Kelvin Mbarete, Charlie Peixoto e Clemerson Batista forma o Brô MC’s, voltar a tocar em Mato Grosso do Sul é sempre especial. “Temos muito orgulho de representar o MS, a nossa comunidade e nossa cultura no mundo. A gente carrega nosso território aonde a gente vai, mas sentir essa energia do nosso chão e cantar para quem faz parte da nossa história tem um peso diferente”, afirmou.
O web designer Pedro Henrique Amaral conheceu o Brô MC’s em 2010, quando o grupo abriu o show do artista BNegão na Praça do Rádio. Ele e a namorada, Patenope de Souza Pereira, acompanham a carreira do grupo desde então. “Eu achei sensacional já naquela época, diferente de tudo que já tinha ouvido. De lá pra cá, onde a gente sabe que vai ter show deles, a gente faz questão de ir”, contou Pedro.
O começo, o trajetória
Uma música no estilo rap denunciando a difícil realidade das comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul e que foi escrita em português e guarani para um projeto de uma escola na aldeia Jaguapiru, em Dourados (MS).
Apresentações no Rock in Rio, no Grammy Latino (Miami), Global Citizen (Nova York), Grammy Museum (Los Angeles) e Encontro do G20 (RJ).
Entre as duas realidades, existem 15 anos de trabalho, dificuldades, estudo, luta e resistência, que forjaram o Brô MC’s, o primeiro grupo de rap indígena do Mato Grosso do Sul, do Brasil e do mundo.
texto: Bianca Bianchi
fotos: Maurício Costa Jr.