O Governo de Mato Grosso do Sul iniciou mais uma iniciativa voltada à ressocialização de pessoas privadas de liberdade. Por meio da Agepen, foi lançado um curso de encanador hidráulico que irá capacitar 140 reeducandos em unidades prisionais de Campo Grande.
A aula inaugural ocorreu no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, conhecido como Máxima de Campo Grande. A qualificação faz parte do Programa Mãos e Obras, desenvolvido em parceria com a concessionária Águas Guariroba e a Faculdade Senai de Construção.
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O curso terá 40 horas de duração e integra as ações do Estado voltadas à preparação de detentos para o mercado de trabalho, com foco na reinserção social após o cumprimento da pena.
Qualificação e economia para o Estado
Além da formação profissional, o projeto também deve gerar economia para a administração pública. Após a capacitação, os participantes estarão aptos a realizar manutenções hidráulicas dentro das próprias unidades prisionais, reduzindo a necessidade de contratação de serviços terceirizados.

A estimativa é que a iniciativa possa gerar economia de cerca de R$ 200 mil apenas com a redução de custos em serviços de manutenção hidráulica.
Segundo o diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, a iniciativa representa um avanço na política de ressocialização e também na gestão das unidades penais.
“Quando oferecemos qualificação profissional dentro do sistema prisional, criamos oportunidades reais de mudança de vida. Além disso, os reeducandos podem contribuir diretamente com melhorias nas unidades, gerando economia para o Estado”, afirmou.
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Parceria entre poder público e iniciativa privada
O secretário-executivo de Justiça, Rafael Garcia Ribeiro, destacou que o projeto demonstra a importância da cooperação entre instituições públicas e empresas privadas para promover transformação social.
“A qualificação profissional é uma ferramenta importante para preparar essas pessoas para o retorno à sociedade. Ao mesmo tempo, o projeto melhora a estrutura das unidades e fortalece a gestão pública”, afirmou.
Já o diretor-presidente da Águas Guariroba, Gabriel Buim, explicou que a iniciativa também busca incentivar o uso consciente da água dentro das unidades prisionais.
A concessionária forneceu todo o material utilizado no curso, incluindo equipamentos hidráulicos, uniformes e itens de segurança, em um investimento estimado em R$ 160 mil.

Certificação profissional
As aulas serão ministradas pela Faculdade Senai de Construção e os participantes receberão certificação profissional, o que pode facilitar a inserção no mercado de trabalho após o cumprimento da pena.
De acordo com o gerente de gestão da instituição, Plínio Gratão, a qualificação amplia as perspectivas de vida dos participantes.
“Com o certificado do Senai, eles terão melhores condições de buscar emprego e construir um novo caminho quando retornarem à sociedade”, explicou.
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Formação em sete unidades prisionais
O curso será realizado em sete unidades prisionais da capital, que juntas abrigam aproximadamente 6.150 custodiados. Entre elas estão:
Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho
Instituto Penal de Campo Grande
Centro de Triagem Anísio Lima
Presídio de Trânsito
Centro Penal Agroindustrial da Gameleira
Penitenciária da Gameleira I
Penitenciária da Gameleira II
Entre os alunos da primeira turma está Alisson Souza da Silva, interno da Máxima, que destacou a importância da oportunidade.
“É uma profissão que pode me ajudar quando eu sair daqui e dar um sustento digno para meus filhos”, afirmou.
Além da qualificação, a participação no curso também permite remição de pena, já que a cada 12 horas de estudo um dia é reduzido da pena total.
Ampliação da qualificação no sistema prisional
O curso faz parte de um conjunto mais amplo de ações da Agepen voltadas à profissionalização dentro do sistema prisional. A previsão é que cerca de 2 mil reeducandos sejam capacitados ao longo de 2026 em áreas como marcenaria, serralheria e construção civil.
Para a direção da Agepen, investir em educação e trabalho dentro das unidades penais representa não apenas uma estratégia de ressocialização, mas também um investimento em segurança pública e cidadania, ao oferecer novas oportunidades para pessoas que buscam reconstruir suas vidas após o cumprimento da pena.







