
Entre grandes fabricantes, distribuidores e varejistas, a Beauty Fair, uma das maiores feiras de beleza das Américas, abriu as portas neste sábado (5) para acolher micro e pequenas empresas que transformam matérias-primas genuinamente brasileiras em produtos diferenciados. Com insumos como mandacaru e licuri da Caatinga, além de bioativos de outras regiões como Mata Atlântica e Amazônia, pequenos negócios marcam presença na 21ª edição da feira que deve movimentar até terça-feira (8) mais de 2 mil marcas, cerca de 500 expositores e mais de 200 mil visitantes.
A dimensão da Beauty Fair acompanha a força do mercado que ela representa. O setor brasileiro de Beleza e Cuidados Pessoais faturou cerca de R$ 200 bilhões em 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC). O Brasil é o terceiro maior mercado consumidor do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China, e responde por 43,4% do consumo da América Latina.

Na comunidade rural de Rudado, no semiárido baiano, Joana Silva criou a Made in Rudado Cosméticos em parceria com a irmã, Ana. A empresa nasceu em 2021, depois de uma capacitação do Sebrae apresentar aos produtores locais experiências de utilização da palma forrageira como ativo para cosméticos.
A marca começou com produtos à base de mandacaru e hoje tem 17 itens que utilizam palma forrageira, óleo de licuri, barbatimão e aroeira, obtidos junto a fornecedores de cooperativas da região.
“A Caatinga é um bioma único do Brasil e um bioma riquíssimo, mas pouco conhecido”, diz Joana. “As pessoas buscam muito as plantas da Amazônia, porque sabemos o valor que ela tem, mas outros biomas brasileiros também têm o seu valor.”
Em Florianópolis, as irmãs Natália e Camila Jonas criaram há sete anos a Vegalótus Cosmética Regenerativa. A empresa utiliza bioativos da Mata Atlântica e da Amazônia em produtos para pele e cabelos e trabalha com agricultura familiar, extrativismo sustentável e cadeias rastreáveis.
Entre os ingredientes está a manteiga de murumuru comprada diretamente de cooperativas. A empresa, que começou de forma artesanal, hoje tem dez funcionários e vende em farmácias de manipulação, empórios, supermercados e pela internet. “A regeneração começa na terra, mas não termina nela. Vai também para a nossa saúde e para o nosso dia a dia”, afirma Natália.
A diversidade dos brasileiros também virou oportunidade de negócio. Criada há dez anos em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, a The Class Professional desenvolve produtos para cabelos crespos e cacheados. A empresa atende mais de 2 mil salões parceiros no Brasil e já chegou a Angola, Peru e Chile.
Em Angola, além de comercializar produtos, a empresa criou um centro técnico para formar cabeleireiros. “Não é só produzir para que o cliente use em casa. O especialista dentro do salão também precisa estar preparado”, diz Luiz Felipe Almeida, representante da marca.
As trajetórias ajudam a traduzir uma vantagem competitiva apontada pelo CEO da Beauty Fair, Cesar Tsukuda. Para ele, a diversidade brasileira deu ao país capacidade para desenvolver soluções para diferentes tipos de pele e cabelo, conhecimento que pode abrir espaço para as marcas nacionais no exterior.
Em 2025, as exportações brasileiras de produtos de beleza e cuidados pessoais ultrapassaram pela primeira vez US$ 1 bilhão, com vendas para 189 países. Os produtos para cabelos lideraram as vendas externas, com US$ 301 milhões.
Para Tsukuda, além de avançar no exterior, o setor terá de responder à transformação do próprio consumidor. “O consumidor é digital, consome pelo celular”, afirmou. A integração entre canais digitais e lojas físicas está entre os desafios para manter a trajetória de crescimento.
A Beauty Fair segue até terça-feira (8), no Expo Center Norte, em São Paulo.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias






