Quando deixou a República Dominicana para viver com o pai em Três Lagoas, Saica Floreal precisou enfrentar as dificuldades de adaptação a um novo país. Na Escola Estadual Dom Aquino Corrêa, encontrou acolhimento e uma possibilidade concreta de começar a construir o próprio futuro.
Matriculada no ensino médio integrado à formação profissionalizante, ela passou a enxergar caminhos que antes pareciam distantes. “Esta escola proporciona muitas alternativas pra gente”, afirma.
LEIA TAMBÉM: Campo Grande amplia rede de esgoto e já leva saneamento a mais de 40 mil pessoas em 2026
Saica pretende ingressar no ensino superior. Considera cursar Medicina ou Direito e planeja seguir posteriormente para uma pós-graduação. Para ela, a qualificação profissional oferecida ainda durante a educação básica ajuda jovens, especialmente os que vivem em situação de vulnerabilidade, a transformar expectativas em projetos de vida.
“O curso profissionalizante forma no presente e prepara para o futuro”, resume.
Mato Grosso do Sul mantém posição de destaque nos indicadores nacionais de mobilidade social. Nas sucessivas edições do Atlas da Mobilidade Social, o Estado aparece entre os melhores colocados do país quando se mede a capacidade de pessoas nascidas em diferentes faixas de renda avançarem economicamente ao longo da vida. Na versão de 2026, o Centro-Oeste apresenta a maior chance de ascensão social entre as regiões brasileiras, com índice de 2,86%, resultado no qual Mato Grosso do Sul exerce papel de destaque.

O desempenho também aparece quando o recorte considera a passagem da classe média para as faixas mais altas de renda. Em Mato Grosso do Sul, 21,82% das pessoas originárias da faixa de renda média conseguem alcançar, na vida adulta, o grupo dos 25% mais ricos. O resultado coloca o Estado entre os cinco melhores do Brasil nesse indicador.
Os números ajudam a dimensionar uma característica importante da mobilidade social: não se trata apenas da possibilidade de sair das camadas de menor renda, mas também da existência de condições para que famílias situadas no meio da distribuição econômica avancem para os estratos superiores. Nesse aspecto, os dados de 2026 reforçam a posição de Mato Grosso do Sul entre os estados brasileiros com maior capacidade de produzir oportunidades de progressão econômica.
>>>SIGA O NOSSO CANAL DO WHATSAPP
Para o governador Eduardo Riedel (Progressistas), pré-candidato à reeleição aprovado em convenção, o próximo ciclo de desenvolvimento precisa transformar crescimento econômico, educação, qualificação profissional e geração de empregos em oportunidades concretas para um número maior de famílias.
Segundo ele, histórias como a de Saica ajudam a dar sentido cotidiano aos indicadores econômicos.
“Para quem trabalha, paga aluguel, mantém um pequeno negócio ou sustenta os filhos, desenvolvimento só ganha sentido quando aparece na renda, na oportunidade profissional e na possibilidade de oferecer um futuro melhor à família”, afirma Riedel.
Oportunidades ainda dependem do lugar onde se vive
Produzido pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social, em parceria com o Grupo de Avaliações de Políticas Públicas da Universidade Federal de Pernambuco, o Atlas mostra que as possibilidades de ascensão não estão distribuídas de maneira uniforme entre os municípios sul-mato-grossenses.
Segundo o economista Francis Régis Gonçalves, doutor em Desenvolvimento Regional, não existe uma solução única para enfrentar a pobreza e as desigualdades, porque cada região do Estado possui características econômicas, sociais e territoriais próprias.
Ele chama atenção especialmente para os municípios localizados na faixa de fronteira internacional, onde historicamente se mantém um corredor de pobreza. Nesses territórios, a vulnerabilidade não decorre apenas da renda, mas de uma combinação de fatores ligados à educação, ao meio ambiente, às características demográficas, à atividade econômica e ao capital social e político.
>>>SIGA O NOSSO INSTAGRAM: @MANCHETEPOPULAR
“É imprescindível o olhar atento da gestão pública — prefeituras, Estado e Governo Federal — às especificidades dos municípios sul-mato-grossenses em faixa de fronteira internacional”, afirma.
Nesse cenário, investir na qualidade da educação básica, tecnológica e superior, ampliar a qualificação e a experiência profissional e criar condições para que as pessoas permaneçam em seus territórios são medidas centrais para estimular a mobilidade social.
Gonçalves reconhece que Mato Grosso do Sul tem se destacado pelo crescimento econômico, geração de empregos, salários médios e qualificação da população. O desafio, afirma, é converter esses avanços em melhores oportunidades profissionais e qualidade de vida, sem deixar regiões para trás.
Para Riedel, a posição alcançada pelo Estado deve ser utilizada como ponto de partida para ampliar oportunidades e reduzir as desigualdades existentes entre famílias e municípios.
Renda acima da média não alcança todos da mesma forma
Outro indicador ajuda a dimensionar a situação econômica de Mato Grosso do Sul. Em 2025, o rendimento nominal domiciliar per capita chegou a R$ 2.454, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O valor ficou acima da média nacional, de R$ 2.316.
A média, porém, não representa o dinheiro efetivamente disponível no orçamento de todas as famílias. Dentro desse número convivem realidades muito diferentes, marcadas pelas desigualdades de renda e pelo peso da alimentação, da moradia, do transporte, do crédito e dos serviços essenciais.
É justamente nesse espaço entre o avanço registrado pelas estatísticas e a experiência cotidiana da população que Riedel pretende concentrar a próxima etapa das políticas públicas estaduais.
Entre as iniciativas estão o MS Supera, voltado à permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade no ensino superior e na educação profissional técnica, e o MS Qualifica, que oferece formação gratuita para aproximar trabalhadores das vagas abertas pela expansão econômica.
A estratégia responde a um problema concreto: a chegada de investimentos e a abertura de novos postos de trabalho não garantem, por si sós, que as oportunidades alcancem quem mais precisa. É necessário ampliar o acesso aos cursos, preparar os trabalhadores e oferecer condições para que os estudantes permaneçam na escola e concluam a formação.
Essa perspectiva também faz parte dos planos de Estefhany Clariany, aluna de um curso técnico na área da saúde oferecido pela Escola Estadual Dom Aquino Corrêa, em Três Lagoas.
Ela enxerga a formação profissionalizante como o primeiro passo de um projeto de vida construído por meio dos estudos. Estefhany pretende atuar na saúde, no cuidado, com empatia, responsabilidade e preparo. “O conhecimento é a base de tudo”, afirma.
Liderança aumenta a responsabilidade
Para Riedel, o primeiro lugar no ranking nacional é um resultado positivo, mas amplia a responsabilidade sobre o que ainda precisa ser feito.
A proposta apresentada pelo governador é conectar desenvolvimento econômico, educação, qualificação profissional, proteção social e geração de renda, fazendo com que o crescimento alcance mais trabalhadores, pequenos empreendedores e famílias.
Apesar da renda acima da média nacional e da liderança em mobilidade social, milhares de sul-mato-grossenses ainda precisam superar a pobreza, enfrentam dificuldades para elevar os rendimentos e encontram oportunidades distribuídas de maneira desigual pelo território.
A próxima etapa das políticas públicas estaduais passa por preparar jovens para os empregos criados, ampliar a qualificação dos trabalhadores, garantir a permanência dos estudantes e transformar os programas de proteção social em caminhos para autonomia e geração de renda.
“O desafio é fazer com que o lugar onde uma criança nasce determine cada vez menos as oportunidades que terá na vida adulta”, afirma Riedel.
Para Mato Grosso do Sul, segundo ele, isso significa transformar crescimento econômico em melhores empregos, estudo em perspectivas de renda e políticas públicas em caminhos concretos para que mais filhos tenham a oportunidade de viver melhor que seus pais.
Em Três Lagoas, Saica e Estefhany já começaram a percorrer esse caminho.
Entre a formação profissionalizante e os planos de ingressar na universidade, suas experiências mostram que os indicadores de mobilidade social ganham significado quando se convertem em escolhas reais — e quando o futuro deixa de ser apenas uma possibilidade distante.







