Diferentes fatores podem influenciar – positiva ou negativamente – a formação de redes empreendedoras. Entre os mais conhecidos, costumam estar a ausência de capital e a distância de grandes hubs. Porém, regiões de baixa densidade de inovação também podem ser impactadas pela escassez de redes locais de apoio, carência de conexões institucionais e baixo acesso a conhecimento.
No Brasil, o Observatório Sebrae Startups aponta que a menor densidade de startups está concentrada na região Norte. Ao todo, os estados desta área somaram 2.147 empresas mapeadas, comparando com as 2.609 do Centro-Oeste, 5.745 do Sul, 6.816 do Nordeste e 10.284 do Sudeste.
Em Roraima, são 151 startups, divididas em apenas seis cidades. A capital, Boa Vista, registra 135 do total de negócios, ou seja, quase 90%. Pensando em ecossistemas de inovação identificados, são 25 no Norte e 29 no Centro-Oeste, contra 43 do Sudeste, 63 do Nordeste e 84 do Sul.
Especialistas do Sebrae destacam que o trabalho desenvolvido em rede auxilia na alavancagem das startups, ao mesmo tempo em que colabora diretamente com o desenvolvimento dos empreendedores. Atuar ao lado das conexões reduz os custos, amplia o empoderamento, a sustentabilidade e o engajamento.

Programas e ações para mudar o cenário
Pensando em como fomentar a formação de novas redes e ativar a inovação nos municípios, há projetos ocorrendo em todo o Brasil. Nos estados do Norte, por exemplo, o programa de mentoria está sendo promovido pelo Sebrae Rondônia até outubro deste ano.
Ao lado de profissionais capacitados, empreendedores podem estruturar a jornada do negócio, desde a concepção até a aceleração. Aqui também são abordadas questões como a captação de recursos, alcance de mercado e planejamento estratégico.
Já de 17 a 19 de setembro, Rio Branco recebeu o Inova Amazônia Summit 2026, principal encontro de bioeconomia, inovação e empreendedorismo da Amazônia Legal. O objetivo é conectar peças-chave da engrenagem da inovação, como empreendedores, startups, investidores, ecossistemas, pesquisadores, grandes empresas e organizações. O evento é outra amostra das iniciativas de promoção dos diferentes ecossistemas.
Do outro lado do mapa, Gravataí, no Rio Grande do Sul, recebe inscrições até 27 de setembro para o programa StartupRS Launch Gravataí. Serão selecionadas até 10 startups para obterem a validação do modelo de negócios para o lançamento do MVP e primeiras vendas, créditos em plataformas parceiras Sebrae Startups, entre outros ganhos. São exemplos de ações — de Norte a Sul — que mostram as possibilidades para extensão de redes.
Roraima aposta em projetos diversificados para ampliar estímulos
No caso de Roraima, o gestor de startups do Sebrae Lucas Basgal de Oliveira explica que a atuação vem sendo ampliada com ações que abrangem desde o estímulo a novos projetos, até o apoio a negócios que já estão em fase de validação e crescimento.
Buscamos construir uma jornada integrada de apoio ao empreendedorismo inovador: estimular novas ideias, apoiar sua transformação em negócios, acelerar startups e conectá-las a mercados, parceiros e oportunidades dentro e fora de Roraima.
Lucas Basgal de Oliveira, gestor de startups do Sebrae
Além disso, Oliveira conta que, ao longo deste ano, já foram realizadas diversas iniciativas com foco em inovação e empreendedorismo. São os casos do Startup Day em Boa Vista e em Rorainópolis, ações do Supernova nas universidades, lançamento de edital do Roraima Startups – Programa de Aceleração de Startups do Sebrae/RR e apoio ao Hospital de Amor no Conecta Health.
“Como próximo passo, o Sebrae Roraima está trabalhando na estruturação do SebraeLab Roraima Aceleradora para 2027, ampliando a capacidade de oferecer suporte contínuo às startups locais e criando um espaço cada vez mais conectado à inovação, tecnologia e desenvolvimento de novos negócios”, conclui.
ATIVA e Ecossistemas de inovação como parceiros
Esses são dois exemplos de como essas iniciativas podem auxiliar no fortalecimento e expansão das redes de inovação. Ao contar com a parceria de instituições locais, como poder público, entidades, associações, espaços de ensino, centros de pesquisa e empresas, há um desenvolvimento regional que proporciona benefícios mútuos.
“Hoje o Sebrae trabalha em parceria com centenas de instituições para trabalhar a inovação em municípios menos estruturados por meio da metodologia ATIVA; e aplicando a metodologia nos ecossistemas de inovação em municípios que contam com os ativos de inovação já estruturados – ou seja, levamos a inovação e conectamos os atores em todas as regiões do Brasil e em milhares de municípios”, comenta Marcos Vinicius Bezerra, Coordenador de Inovação Territorial do Sebrae. “Essas conexões têm proporcionado a progressão das startups e dos negócios inovadores.”

Explorando vocações tradicionais
O aproveitamento das vocações econômicas tradicionais de cada local também beneficia a criação de novos negócios e a evolução do território. No caso do Norte, o Observatório Sebrae Startups indica que o principal modelo de negócio é B2B, com 40%. Além disso, produtos físicos saem na frente, com maioria de atuação nos segmentos de alimentos e bebidas, saúde e bem-estar, e agronegócio.
Outros conceitos utilizados e combinados são o do desenvolvimento territorial e a aceleração de ecossistemas. Dentro da própria cidade, novos negócios podem encontrar inspiração e autoestima em seus pares, gerando transformação a partir de exemplos reais.
Isso mostra que não há necessidade de esperar pelo apoio de grandes centros ou empresas de fora do município. Casos como o de Florianópolis já indicam que pontos como a organização e governança local podem contribuir para para a alavancagem dos novos empreendimentos, gerando inovação e ganhos em qualidade de vida.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias








