
As professoras aposentadas Ires Duarte Vigilato, de 72 anos, e Aparecida Celeste, de 73, estão prontas para a aula do próximo domingo. O conteúdo do dia será cidadania e a atividade prática, o exercício do voto. As duas já não são mais obrigadas a votar, mas fazem questão de exercer esse direito, o que intensifica a dimensão de liberdade e de consciência de suas escolhas.

Ires e Aparecida estão entre as pessoas que podem votar, mas que não são obrigadas a fazê-lo. Conforme a Constituição Federal, o voto é facultativo a quem tem mais de 70 anos, a maiores de 16 e menores de 18, e a analfabetos. Em Mato Grosso do Sul, esses grupos somam 375.696 eleitores, o equivalente a 18,55% do eleitorado do estado (2,024 milhões), conforme dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS).
A maior parte desse universo é formada por pessoas com 70 anos ou mais. Um em cada dez eleitores sul-mato-grossenses está nessa faixa de idade. São 202.096 pessoas, quase dez vezes a mais que os 22.984 adolescentes com 16 e 17 anos. Quanto aos analfabetos, são 63.816 em Mato Grosso do Sul, 3,15% do total de eleitores.
À véspera da eleição, a professora Ires pegará a estrada e viajará cerca de 100 quilômetros para chegar, com tempo e tranquilidade, a seu domicílio eleitoral, o município de Ribas do Rio Pardo. “Vou no sábado para não perder a oportunidade. No outro dia, acordo cedo e, quando abrirem as urnas, já estarei lá para votar”, conta. E dá um spoiler do seu roteiro de domingo: “Vou ficar faceira, porque já votei, e aí vou aproveitar para rever os meus amigos. Tenho umas amigas que andam de muleta, outras de andador, mas assim mesmo vou tentar convencê-las a irem votar”.
Para Ires, a experiência e a opinião dos idosos precisam ser consideradas. “Parece que muitas pessoas vão deixando o idoso de lado, mas eles também têm uma contribuição muito grande para fazer”, afirma. E acrescenta: “A gente tem que participar. Se a pessoa não participa, não tem o direito de cobrar… O idoso, que está bem em suas faculdades mentais, deve participar das eleições. Isso é muito importante”.
Um instrumento forte da democracia

(Foto: Glaucia Jandre)
“Votar é um direito de toda pessoa, é um exercício de cidadania e eu gosto de votar. Eu quero votar, porque é um direito que eu tenho”, resume Aparecida Celeste. Ela percebe no exercício democrático do voto a sua dimensão histórica e de gênero. “O direito do voto é uma conquista, principalmente das mulheres, que só puderam votar muito tempo depois dos homens”, lembra a professora.
Na visão de Aparecida, abrir mão dessa prerrogativa apenas porque a legislação deixou de exigi-la seria desvalorizar uma das vitórias mais importantes da democracia. “Eu quero votar, ainda que eu não precise mais. É um instrumento muito forte de democracia. E se nós não tomarmos cuidado, vai chegar uma hora em que não poderemos mais escolher”, afirma Aparecida em defesa do regime democrático e da soberania popular manifestada no voto.
Outra geração, a mesma consciência

(Foto: Glaucia Jandre)
A consciência de cidadania atravessa gerações – assim como Aparecida, a sua neta, Cecília Mascarenhas, 17 anos, também faz questão de ir às urnas, mesmo não sendo obrigada. No domingo, a acadêmica de Nutrição fará algo inédito em sua vida: votar. “Eu me sinto muito feliz em votar pela primeira vez, em exercer esse direito democrático e fazer parte desse processo no meu estado e no meu país”, declara. “Com voto, posso dizer o que desejo para minha nação, para minha vida e das outras pessoas, para os brasileiros, pelos próximos anos”, acrescenta.
Além de enfatizar a importância de se posicionar, a jovem também destaca as expectativas quanto aos futuros eleitos. “Espero dos candidatos honestidade, que exerçam seu papel”, diz, acrescentando que aqueles que conquistarem algum cargo eletivo justifiquem a escolha feita pelo povo.
Para Cecília, os políticos eleitos têm o dever de avançar na qualidade de vida de todos. “Deverão melhorar a saúde, a educação, a infraestrutura, a vida urbana, a segurança, para que possamos progredir sempre como uma nação melhor, com IDH melhor, buscando justiça para a sociedade como um todo”, defende. “Por isso, fico muito honrada de poder votar, de exercer esse papel na minha sociedade e na democracia”, finaliza.
Livro infantil
Essa consciência da importância do voto e da democracia pode ser construída desde a infância. Entre as publicações que podem ajudar nesse processo, está o livro infantil “Democracia Pantaneira: A história da eleição da bicharada”, produzido pela Gerência de Site e Mídias Sociais, integrante da Secretaria de Comunicação Institucional da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS).
Escrito pela jornalista Glaucia Jandre e ilustrado por Luciana Kawassaki, o livro conta a história da escolha de um representante da bicharada após o grande incêndio de 2020, que destruiu grande parte da vegetação e matou muitos animais.
A publicação faz parte da coleção “Cidadania é o Bicho”, que trata, em linguagem infantil, de temas ligados aos direitos humanos, meio ambiente, enfrentamento da violência, entre outros assuntos. Os personagens são sempre animais da fauna pantaneira.
Para acessar o livro “Democracia Pantaneira”, clique na imagem. E para conhecer toda a coleção, clique aqui.
Leia mais:
Eleições 2026: Mato Grosso do Sul tem 2 milhões de eleitores aptos a votar no domingo






