O Sebraelab recebeu na última quarta-feira, 16 de setembro, o quinto e último encontro da primeira fase da Jornada Progressiva e Inclusiva da Construção Industrializada. A iniciativa acontece de forma piloto e é destinada a donos de micro e pequenas empresas da cadeia produtiva de casa e construção do Distrito Federal, sendo promovida por meio de uma Jornada Progressiva e Inclusiva da Construção Industrializadaparceria firmada entre o Sebrae Nacional, Sebrae no DF e o Instituto de Tecnologia de Industrialização das Edificações (ITIE).
As atividades da jornada foram iniciadas durante o mês de agosto e consistiram, até o momento, na realização de encontros voltados a ampliar a compreensão dos empresários sobre a construção industrializada, método focado na transferência de processos do canteiro de obras para ambientes fabris controlados, aplicando conceitos da indústria manufatureira à engenharia civil. Em vez de moldar e improvisar a edificação diretamente no terreno, como na alvenaria convencional, os componentes, como paredes, lajes, estruturas e até cômodos inteiros, são fabricados com alta precisão técnica e levados prontos apenas para montagem no local da obra.
A metodologia da jornada é disruptiva justamente por colocar a mudança do modelo de negócio no centro da transformação setorial e aposta na força das micro e pequenas empresas, e não apenas nas grandes construtoras, para modernizar a construção civil brasileira. O objetivo é tornar o setor mais sustentável e competitivo diante de desafios críticos, como a escassez de recursos e a drástica redução na mão de obra na cadeia.
“A construção tradicional é uma cadeia produtiva amplamente fragmentada. Cada elo executa uma etapa isoladamente, e é justamente quem gerencia a obra que enfrenta o desafio de integrar tudo até a conclusão. Por isso, dificilmente se termina uma obra no prazo esperado. Há sempre um ajuste de última hora, uma etapa que se estende”, explicou o diretor-geral do ITIE, Gilberto Freitas.
O dirigente avaliou os resultados da primeira fase da jornada de forma positiva e observou que o principal ganho está na mudança de mentalidade dos empresários participantes, que passaram a enxergar a construção não mais como um processo fragmentado, mas como uma cadeia produtiva integrada.

Gilberto ainda comentou que a construção industrializada é considerada um verdadeiro “oceano azul” para o setor da construção civil, pois representa um mercado vasto, com altíssimo potencial de crescimento e praticamente livre da concorrência tradicional e saturada. Segundo ele, a construção industrializada ocupa apenas 3% do mercado brasileiro, diante de 97% ocupados pelos métodos tradicionais, um cenário que prefere encarar como oportunidade.
Ao longo dos encontros, os empresários participantes puderam entender que a cadeia da construção vai além da etapa de construir propriamente dita, envolvendo também fabricar, montar e integrar diferentes elos, muitas vezes desconhecidos por quem está habituado apenas aos métodos de construção tradicionais.
O primeiro encontro ocorreu com foco justamente na compreensão da cadeia produtiva como um todo, enquanto o segundo trabalhou o que a metodologia chama de inteligência multiconstrutiva, apresentando diferentes sistemas e tecnologias disponíveis no mercado e estimulando os participantes a romperem preconceitos técnicos para combinar soluções que gerem mais valor ao negócio.
Já no terceiro momento, os empresários participaram de uma experiência empresarial imersiva e visitaram obras e fábricas em Anápolis e Senador Canedo, no interior de Goiás, compreendendo na prática os desafios de quem já trabalha com construção industrializada. Essa experiência preparou o terreno para a quarta etapa, em que cada empresa definiu o caminho mais adequado para seu negócio e transformou essa escolha em estratégia e plano de ação.
Por fim, durante o quinto e último encontro, os participantes da jornada foram incentivados a fazer conexões, dando forma a uma comunidade de negócios, uma rede de troca entre quem já iniciou a transição para a construção industrializada.
Gabriela Ribeiro, analista da Gerência de Negócios em Rede e gestora do projeto de arquitetura e design do Sebrae no DF, acompanhou a atividade promovida no Sebraelab e destacou que o cenário atual da construção civil impõe um novo ritmo às pequenas empresas do setor, e que, por isso, a realização da jornada nasceu justamente da necessidade de preparar esses negócios para os desafios que se anunciam. Segundo ela, embora a metodologia trate de métodos construtivos, não se concentra especificamente neles. Esses conceitos surgem por gerarem curiosidade e, muitas vezes, serem relevantes para decisões estratégicas. O foco central da jornada é nos modelos de negócio.

“Sabemos que o mercado não está fácil na construção civil, e como Sebrae, não podemos ficar parados diante disso. Precisamos preparar as pequenas empresas, que são nosso foco, para caminhar rumo a um futuro próximo, mais desafiador do que temos observado. Não há como fugir da parte mais técnica, dos métodos construtivos, mas nossa intenção é falar sobre negócio, sobre como fazer essa roda girar nesse universo que não é tão novo assim, mas que agora precisamos potencializar”, pontuou Gabriela.
Seguindo essa lógica, o quinto encontro reservou espaço para apresentações das empresas que estão participando da jornada, bem como de empresas convidadas e buscam avançar dentro da cadeia produtiva de casa e construção no DF.
Após as apresentações, Gabriela falou aos empresários participantes sobre os próximos passos da jornada, informando que o grupo passará a se reunir mensalmente, em um formato pensado para dar mais tempo ao desenvolvimento das ações definidas pelas empresas participantes. Segundo ela, esses encontros devem ocorrer por, pelo menos, três meses, incluindo visitas técnicas a experiências já consolidadas no setor, e servirão também para dar espaço às demandas levantadas pelo próprio grupo ao longo do processo.
“A partir de agora, teremos encontros mensais, com um tempo maior para que vocês possam desenvolver o trabalho. A ideia é que, além de escutarmos as demandas de vocês, também possamos trabalhar temas que identificamos como importantes para essa caminhada. E teremos mais momentos de visita, para que o grupo possa conhecer de perto outras experiências”, completou Gabriela.
Entre os empresários presentes ao encontro estava Fernando Mundim, engenheiro civil e sócio da Velum Soluções Construtivas. Ele conta que começou a atuar no setor há dez anos, construindo de forma convencional, mas nunca se adaptou totalmente ao modelo tradicional, por acreditar que existia uma nova maneira de construir e projetar. A partir dessa inquietação, passou a estudar metodologias construtivas alternativas ao tijolo cerâmico, como contêiner, Light Steel Frame (LSF) e wood frame, sistemas mais eficientes em comparação à alvenaria convencional.
Fernando observou que, nos últimos seis anos, os empresários do setor têm mostrado um aumento na aceitação, com a cadeia produtiva de materiais se desenvolvendo de maneira sólida para atender à demanda atual. Ele aponta que o grande desafio agora é integrar novos profissionais, empresários e soluções a esse mercado. Nesse sentido, a jornada da construção industrializada se revelou fundamental para que ele pudesse fortalecer relações e ampliar seu networking no setor.

“Participar dessa jornada foi fundamental para estreitar mais essa relação, e imagino que o próximo passo é sair da teoria e ir para a prática, aplicando tudo o que a construção industrializada tem de melhor, que já comprovamos e temos cases, como maior eficiência, melhor qualidade térmica e acústica, e principalmente precisão de preço e prazo, o que é fundamental para uma cadeia produtiva que merece entregas à altura”, sustentou o empresário.
“Acredito que essa é uma comunidade que sai dessa jornada muito fortalecida, com grandes chances de bons negócios e boas entregas”, concluiu Fernando.
Sobre a jornada
Além de envolver empresários no Distrito Federal, a jornada tem sido promovida pelo Sebrae e o ITIE em Fortaleza (CE), Salvador (BA) e Maringá (PR).
A partir dos resultados de cada turma, o Sebrae e o ITIE pretendem decifrar as dinâmicas regionais para implementar um modelo de industrialização que torne a construção civil brasileira mais sustentável e conectada à economia digital, reafirmando o papel da instituição como parceira direta dos empreendedores na superação dos gargalos da cadeia produtiva.
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Fonte: Agência Sebrae de Notícias







