Enfermeiro critica desrespeito às medidas para frear Covid-19: “só sentirá na pele quando a morte bater à porta”

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Neste mês de março a pandemia de Covid-19 completa um ano no Brasil. Desde o primeiro caso, em todo o país foram milhares de mortes provocadas pela doença e sequelas deixadas em sobreviventes. 

De lá pra cá, houve uma constante insistência das autoridades de saúde sobre a importância de seguir as medidas de proteção para prevenir a disseminação do vírus, no entanto, mesmo diante de um cenário de enfrentamento ainda pior, pessoas desprezam essas recomendações. Enfermeiro há 20 anos, 10 deles em Dourados, Haroldo Rodrigues Gonçalves faz duras críticas e garante: “só sentirá na pele quando a morte bater à porta”. 

Haroldo lembra que no começo era tudo novo, muitas incertezas existiam, até mesmo sobre o período que o vírus circularia no país, contudo a evolução da doença tomou grandes proporções e ficou incontrolável. O enfermeiro recorda da segunda paciente que morreu no município onde atua e que o deixou muito arrasado: a venezuelana Rulesis Esther Hernandez, de 29 anos. Além da pouca idade, há poucos meses ela havia dado à luz ao terceiro filho, contudo perdeu a batalha e foi a óbito por complicações da Covid-19, no dia 29 de maio de 2020. 

Para o profissional da saúde, é triste ver os familiares impedidos de fazer uma despedida. “Esses pacientes não podem ter um velório e enterro dignos. Os familiares sofrem sem a  oportunidade de se despedir do ente querido. Para a família isso é muito ruim, até mesmo para nós da enfermagem. É uma cena muito triste”, lamenta Haroldo.

O enfermeiro também elogia o trabalho realizado por profissionais de assistência psicológica dentro dos hospitais, reforçando que o amparo tem sido extremamente importante para as famílias no momento de dor. 

Ainda de acordo com Haroldo, pacientes que lutam pela vida e contra a doença são muito trabalhosos e causam grande sobrecarga física aos especialistas da enfermagem e área médica. Haroldo faz um apelo a fim de sensibilizar as pessoas para essa terrível situação dentro dos lares e hospitais que já estão com a estrutura saturada.

“Falta conscientização da população. Se todo mundo for ficar dentro de casa o mundo quebra, mas quem pode ficar fique. Quando voltar do serviço, não precisa sair em festas, se aglomerar. Essa atitude é que faz a diferença. Não são os comércios fechados, pois eles seguem as recomendações.  Quem se aglomera pode não ter graves consequências na saúde, mas vai levar o vírus para dentro de casa e só sentirá na pele quando a morte de um ente querido bater à porta. Aí pode ser tarde para fazer alguma coisa. Nós da enfermagem estamos fazendo a nossa parte, mas é preciso que a população colabore”, avisa. 

Da redação Manchete Popular

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