O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, deflagrou nesta segunda-feira (14) a Operação Barattieri, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados à compra de alimentos para a merenda escolar em Água Clara.
LEIA TAMBÉM: Eleitores com deficiência têm até hoje para pedir transporte grátis
Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão no município. Até o momento, os nomes dos presos e dos demais alvos da operação não foram divulgados pelas autoridades.
Segundo o Gaeco, a investigação começou a partir de informações e provas obtidas durante a Operação Malebolge, realizada em fevereiro de 2025. A apuração teria identificado uma atuação conjunta entre servidoras públicas municipais e um empresário do município.
Conforme as investigações, as servidoras seriam responsáveis por solicitar vantagens indevidas ao empresário. O suposto esquema funcionaria por meio da alteração dos valores das ordens de compra emitidas pela Prefeitura.
>>>SIGA O NOSSO CANAL DO WHATSAPP
Ainda de acordo com o Ministério Público, os documentos apresentariam quantidades ou valores superiores aos produtos que efetivamente eram entregues. A diferença seria utilizada para viabilizar o pagamento das vantagens indevidas investigadas.
A operação desta segunda-feira busca aprofundar a apuração sobre a possível participação dos envolvidos, além de reunir novos documentos e elementos que possam esclarecer a movimentação dos recursos públicos.
Nome da operação faz referência a obra de Dante’
O nome “Barattieri” foi inspirado na obra A Divina Comédia, de Dante Alighieri.
Na representação do Inferno feita pelo escritor italiano, os “barattieri” são pessoas que negociavam funções públicas em troca de benefícios indevidos. A escolha do nome faz referência à suspeita de negociação envolvendo agentes públicos investigada pelo Gaeco
>>>SIGA O NOSSO INSTAGRAM: @MANCHETEPOPULAR
Operação Malebolge
A nova investigação tem origem em elementos encontrados durante a Operação Malebolge, deflagrada pelo Gaeco em 18 de fevereiro de 2025.
Na ocasião, o Ministério Público investigou uma suposta organização criminosa que teria atuado em Água Clara entre 2022 e 2025. Segundo a denúncia apresentada pelo órgão, o grupo teria envolvimento em crimes como peculato, fraudes em licitações e contratos públicos, além de corrupção ativa e passiva.
Entre os denunciados estão servidores públicos e empresários. Conforme a acusação, três servidoras ligadas à Secretaria Municipal de Educação teriam participação na emissão de ordens de compra, no recebimento dos produtos e na suposta arrecadação de propina.
A denúncia cita ainda a então secretária municipal de Educação, Adriana Rosimeire Pastori Fini, que, segundo o Ministério Público, seria uma das pessoas beneficiadas pelas supostas vantagens indevidas.
Também aparece na investigação a secretária municipal de Finanças, Denise Rodrigues Medis. De acordo com a denúncia, ela teria participação na tramitação e agilização de pagamentos relacionados aos empresários investigados.
As acusações fazem parte das investigações conduzidas pelo Ministério Público e deverão ser analisadas pela Justiça. A Operação Barattieri representa uma nova etapa das apurações sobre possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos destinados à alimentação escolar em Água Clara.








