A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (25) a Operação Jogo Limpo, que investiga suspeitas de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral envolvendo a campanha do deputado estadual e candidato à reeleição Márcio Fernandes (PL).
Durante o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão, os policiais localizaram mais de R$ 250 mil em dinheiro em espécie em endereços ligados ao parlamentar. A PF informou que os valores serão contabilizados e terão a origem e eventual destinação apuradas.

Dinheiro foi encontrado durante as buscas
Um dos alvos da operação foi o comitê eleitoral de Márcio Fernandes, localizado no bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande. No endereço, os agentes apreenderam documentos, computadores e outros materiais de interesse da investigação.
A segunda busca ocorreu no apartamento do deputado, no edifício Manoel de Barros, próximo ao Shopping Campo Grande. Foi nesse local que a PF encontrou o dinheiro em espécie.
A investigação deverá esclarecer a procedência dos valores e se existe relação entre o dinheiro apreendido e as suspeitas que motivaram a operação.
Investigação ocorre durante campanha eleitoral
A Operação Jogo Limpo foi deflagrada durante o período de campanha eleitoral. Márcio Fernandes está no quinto mandato como deputado estadual e disputa novamente uma vaga na Assembleia Legislativa.
Em nota divulgada à imprensa, a assessoria do parlamentar classificou a ação como uma operação de rotina e afirmou que os policiais também teriam passado por outros comitês.
A Polícia Federal, contudo, informou que Márcio Fernandes foi o alvo da operação nesta sexta-feira, conforme os mandados cumpridos.
Patrimônio declarado cresceu ao longo dos anos
O patrimônio declarado pelo deputado também aparece no contexto da apuração jornalística. Segundo os dados eleitorais citados na reportagem de origem, Márcio Fernandes declarou não possuir patrimônio em 2004, quando disputou a Prefeitura de Jaraguari.
Em 2006, declarou bens avaliados em aproximadamente R$ 131 mil. O valor permaneceu semelhante nas eleições seguintes, até registrar crescimento expressivo a partir de 2014.
Em 2014, o patrimônio declarado chegou a cerca de R$ 1,4 milhão. Em 2018, passou para aproximadamente R$ 1,48 milhão e, na eleição municipal de 2020, alcançou cerca de R$ 2,67 milhões.
Em 2022, o valor declarado chegou a aproximadamente R$ 6,2 milhões. Já na declaração eleitoral mais recente citada na reportagem, o patrimônio informado foi de R$ 13,7 milhões.
Esses valores representam declarações patrimoniais apresentadas à Justiça Eleitoral e, por si só, não comprovam qualquer irregularidade ou relação com a investigação da Polícia Federal.
PF apura origem e possível destinação dos valores
A principal questão agora é esclarecer de onde veio o dinheiro encontrado e qual seria sua eventual finalidade.
A própria PF informou que os valores apreendidos serão submetidos à apuração de origem e possível destinação. A investigação também deverá analisar os documentos e equipamentos recolhidos durante as buscas.
Até o momento, a operação trata os fatos como suspeitas sob investigação, sem conclusão sobre eventual responsabilidade criminal do parlamentar. O caso segue em apuração.








