Sinal silencioso de socorro pode ajudar vítimas de violência

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© Arte Senac
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Você conhece os sinais silenciosos de socorro, como fechar a mão ou pintar um X vermelho na palma da mão?

O Sinal Mundial de Socorro foi criado em 2020, no Canadá, e consiste em, primeiro, com a palma aberta, voltada para a frente, dobrar o polegar em direção à palma da mão. Os outros quatro dedos devem ser fechados por cima do polegar, que fica escondido. O gesto pode ser repetido algumas vezes.

Pode ser feito discretamente, até mesmo com a mão virada para trás ou durante um atendimento ou videochamada, sem que o agressor perceba.

O sinal mundial de socorro ganhou ainda mais visibilidade depois do caso recente em Curitiba, no Paraná, quando uma menina de 9 anos foi abordada por um homem enquanto caminhava. Ela foi salva da tentativa de estupro graças ao gesto visto por um primo, que buscou a ajuda de um adulto.

Caso semelhante ocorreu em Pitanga, também no Paraná, quando uma mulher de 28 anos, vítima de violência doméstica, fez o gesto e o ex-companheiro acabou preso em flagrante.

Outro caso ocorreu na cidade de Americana, em São Paulo. Durante um atendimento em uma unidade de pronto atendimento, uma mulher fez o sinal para uma técnica de enfermagem, que acionou a Guarda Municipal.

Exemplos que comprovam que gestos silenciosos salvam vidas, como ressalta a procuradora de justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro, idealizadora do perfil no Instagram @VamosMulherar, a Carla Araújo.

“Trancada em casa, ela não está tendo contato com seus familiares, com amigos, ele não deixa ela ligar para ninguém, se comunicar com ninguém, isso infelizmente acontece. Então, esses sinais, fechar a mão, ficar na forma de um punho, e o sinal vermelho, como eu disse, eles vão fazer com que ela peça socorro num restaurante, num shopping.”

A procuradora explica outras formas de pedir ajuda “sem pedir ajuda” e exemplifica.

“Está tendo vários casos que a mulher liga para a Polícia Militar, para o 90, e pede uma pizza. É um sinal silencioso na forma de pedir o socorro, de uma outra forma. E a polícia tem entendido.”

A família, a escola e os meios de comunicação têm papel importante também na transmissão de conhecimento que ajude as crianças e jovens a se protegerem, como no caso da menina e do primo dela, em Curitiba, que conheciam o sinal porque a avó ensinou.

A neuropsicóloga Camila Fantin, especialista em parentalidade, diz que a criança deve ser ensinada a se proteger a partir do momento em que adquire coordenação motora fina e compreensão básica de situações de alerta, o que costuma ocorrer por volta dos 4 a 5 anos de idade.

“A família é o primeiro lugar onde você vai construir uma relação segura, relacionamentos que vão te inspirar como você se relacionar socialmente. Então, dentro da família, a melhor maneira que nós podemos ensinar e combater a violência é tratando os nossos filhos com respeito mútuo, ensinando eles sobre regulação emocional.

O mesmo vale para as escolas.

“Então, a gente precisa promover espaços dentro dos nossos lares, dentro de escolas, de escuta, mesmo de respeito mútuo, de dialogar e de observar sinais. A inteligência emocional perpassa por isso, por você observar as emoções que você está sentindo, desenvolver o autocontrole sobre elas, mas também observar as emoções, os comportamentos que o outro está tendo e também saber se relacionar com ele.”

E para quem tem dúvida em como agir quando presenciar um pedido de ajuda, a procuradora Carla Araújo ensina.

“Quando uma pessoa percebe que uma mulher fez esse sinal de socorro, ele deve se aproximar, mas com cuidado, deve chamar a polícia, ligar para o 190. O 190 é o telefone de emergência, caso de emergência da Polícia Militar. Tomar principalmente cuidado para que o agressor não atinja essa mulher ou até outras pessoas, não fuja, e aí a mulher acaba não tendo socorro, porque às vezes é fugir com ela se estiver dentro de um carro.”

Para a procuradora, as pessoas não podem ser omissas quando ouvem, por exemplo, uma vizinha gritando por socorro, móveis e objetos sendo quebrados. A orientação é sempre buscar ajuda.

*Com produção de Luciene Cruz. 

Fonte: Radioagência Nacional – EBC

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