Sugestão do Prefeito, “imprimir dinheiro” já resolveu crise e Banco Central estuda medida

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Intervenção minimizou efeitos e socializou perdas do colapso financeiro de 2008, nos Estados Unidos

BC estuda permissão para comprar títulos de emissão do Tesouro Nacional e financiar cofres

O prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD), virou piada depois de sugerir, em entrevista ao SBT, que a Casa da Moeda imprimisse mais dinheiro para o Brasil superar a retração econômica causada pelas medidas restritivas de enfrentamento ao novo coronavírus. Apesar do deboche, a intervenção já foi uma das saídas adotadas nos Estados Unidos contra a crise de 2008. No País, a iniciativa está em discussão pelo BC (Banco Central).

Economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito desmistifica a expressão “imprimir dinheiro”, termo que classifica como forte.

“Mas a ideia é que existe essa necessidade dada a retirada de dinheiro que foi feita por conta da aversão ao risco das pessoas. O sujeito quer fazer caixa, fica com medo e guarda o dinheiro em momentos de incerteza aguda. Uma das políticas do BC [Banco Central] é colocar mais dinheiro para contrapor esse movimento. O Estado precisa fazer essa ponte pro pessoal passar”, comenta.

Perfeito brinca que “o dinheiro não vai ser jogado de cima de um helicóptero”, como em filmes e seriados de televisão. Segundo ele, o Estado tem alternativas para recolocar o que foi retido de volta à economia. Isentar impostos é uma delas, bem como forçar uma distribuição de renda, como os vouchers anunciados para trabalhadores autônomos.


“O dinheiro dinheiro sumiu da economia, cada um guarda o seu. Para o Estado, a melhor forma de resolver isso não dando dinheiro diretamente  é perdoar imposto”, completa o economista.

Outra saída, discutida pelo BC e que pode ser apresentada em formato de PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para votação no Congresso, é comprar títulos de emissão do Tesouro Nacional, algo que, hoje, a legislação federal não prevê. Na prática, o BC fica autorizado a financiar o Tesouro.

Esse tipo de intervenção ajudou a minimizar as perdas dos bancos privados durante a crise de 2008 nos Estados Unidos, quando o Fed (Federal Reserve, o Banco Central estadunidense) comprou títulos “podres” – como as hipotecas que não tinham chance de serem pagas –  de instituições financeiras. A manobra demandou trilhões de dólares, mas socializou as perdas do mercado financeiro.

Para o BC, a compra de títulos do Tesouro é aventada como segunda via de condução da política monetária nacional, hoje feita, quase que exclusivamente, pelo controle da taxa básica de juros. A medida faz parte das políticas dos Bancos Centrais norte-americanos, europeu e japonês.


Hiperinflação – André Perfeito salienta a possibilidade de hiperinflação com a intervenção do BC, causada por uma possível crise de oferta.

“O risco que tem não é por conta da impressão de dinheiro. Se as pessoas tiram o dinheiro de circulação, a atividade econômica imbica mais forte para baixo. Mas a tentativa do governo de forçar uma distribuição de renda não vai gerar mais produto. Pode faltar leite, um exemplo. Ainda assim, o risco de não se fazer nada é quebrar muitos negócios”, encerra.

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