Com projeção até 2040, estudo considera os impactos da expansão da infraestrutura sanitária sobre a atividade turística de Mato Grosso do Sul
O saneamento básico tem impactos que ultrapassam a saúde pública e a qualidade de vida. A infraestrutura de água e esgoto também está relacionada à capacidade das cidades de gerar desenvolvimento econômico, preservar seus recursos naturais e criar condições para o avanço de atividades como o turismo. Em Mato Grosso do Sul, essa relação pode representar R$ 2,25 bilhões em renda adicional para o turismo entre 2025 e 2040, segundo estudo do Instituto Trata Brasil.
A estimativa faz parte do estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento no Mato Grosso do Sul”, elaborado pelo Trata Brasil em parceria com a Ex Ante Consultoria Econômica. O levantamento aponta que a universalização dos serviços pode gerar impactos em diferentes áreas da economia, entre elas produtividade, valorização imobiliária e turismo. A projeção considera os efeitos da ampliação do acesso ao saneamento sobre a atividade econômica do Estado ao longo de 15 anos.
Para Gabriel Buim, diretor-presidente da Águas Guariroba e da Ambiental MS Pantanal, investir em saneamento é também investir nas condições que permitem que as cidades e suas atividades econômicas se desenvolvam no longo prazo.
“Quando falamos em saneamento, estamos falando de uma infraestrutura que gera benefícios que permanecem por gerações. Cada nova rede implantada, cada litro de esgoto tratado e cada recurso hídrico protegido representam mais do que uma melhoria no serviço: são investimentos na saúde, no meio ambiente e na capacidade das cidades de gerar desenvolvimento. Em um Estado com um patrimônio natural tão importante e uma atividade turística tão forte, cuidar da água e do esgoto é também cuidar das oportunidades que esse território oferece”, afirma.
Capital universalizada
Na Capital, o turismo já representa uma atividade relevante para a economia local. Segundo dados do Observatório de Turismo de Campo Grande, o Aeroporto Internacional registrou, em 2025, mais de 1,55 milhão de embarques e desembarques. No mesmo período, as atividades relacionadas ao turismo registraram média de 946 empregos formais, cerca de 410 postos a mais do que em 2024.
Nesse cenário, a infraestrutura de saneamento representa uma das bases que contribuem para a qualidade urbana e para o funcionamento das atividades econômicas. Campo Grande já alcançou 95% de cobertura de esgotamento sanitário e, somente em 2026, mais de 180 quilômetros de novas redes de esgoto foram implantados em diversas regiões da capital. São os benefícios do saneamento alcançando mais de 20 bairros da cidade.
O abastecimento de água tratada também alcança 99,8% da população, com controle permanente da qualidade. Até agosto de 2026, mais de 360 mil análises foram realizadas para acompanhar os padrões da água distribuída à população. Excelência comprovada por turistas de todo o mundo, que podem provar água de qualidade diretamente da torneira.

“A água aqui é muito pura! Saber que ela chega assim, direto da torneira, para todos, é diferente de muitos lugares pelos quais já passei ao redor do mundo. Isso é excelente para a população daqui”, afirma Irene Lomashvili, da Geórgia
No esgotamento sanitário, mais de 105,4 milhões de litros de esgoto são tratados diariamente na Capital. A coleta e o tratamento adequados reduzem a pressão sobre os recursos hídricos e integram a infraestrutura necessária para uma cidade que concentra moradores, atividades econômicas, serviços e visitantes.
Saneamento que protege o ecoturismo
A relação entre saneamento e turismo ganha uma dimensão ainda mais direta em municípios cuja principal atração está nos próprios recursos naturais. É o caso de cidades como Aquidauana, Miranda, Jardim e Bonito, referência nacional em ecoturismo, sendo reconhecido por suas águas cristalinas, grutas, cachoeiras, cavernas e paisagens naturais.
Segundo o Observatório do Turismo de Bonito, o município recebeu cerca de 293 mil visitantes em 2025. No mesmo ano, os serviços relacionados ao turismo registraram saldo positivo de 295 empregos formais e totalizaram 6.443 vínculos ativos. A atividade turística movimenta uma cadeia que envolve hospedagem, alimentação, transporte, comércio, serviços e os próprios atrativos naturais que fazem do município um dos principais destinos turísticos de Mato Grosso do Sul.
Nesse contexto, proteger os recursos hídricos significa também preservar um dos principais ativos econômicos do município que possui mais de 23 mil habitantes e área territorial superior a 4,9 mil km². Bonito já alcançou 99% de cobertura de esgotamento sanitário e integra a lista de cidades atendidas pela Ambiental MS Pantanal.

Agora, uma nova obra amplia a estrutura de proteção ambiental do município. Desde maio, a Ambiental MS Pantanal implanta uma Estação Elevatória de Esgoto Tratado, com capacidade de 80 litros por segundo, e um emissário de aproximadamente 22 quilômetros de extensão.
A nova estrutura substituirá o emissário atual e permitirá redirecionar o efluente tratado para um ponto de lançamento mais distante da área turística e da zona urbana, no Córrego Mutum. A intervenção amplia a proteção de uma região ambientalmente sensível, onde rios, nascentes, aquíferos e biodiversidade estão diretamente relacionados à experiência turística e à economia local.
Para Fernando Garayo, gerente de Meio Ambiente e Qualidade das concessionárias, a mudança contribui para proteger os recursos naturais que sustentam a atividade turística.
“A alteração do ponto de lançamento constitui uma estratégia voltada para o reforço das atividades turísticas da região, acompanhando o constante desenvolvimento do município. Em um destino como Bonito, preservar os recursos hídricos também significa contribuir para a conservação dos atrativos naturais que movimentam a economia local”, explica.

A infraestrutura de saneamento de Bonito conta ainda com uma Estação de Tratamento de Esgoto e cinco Estações Elevatórias de Esgoto, que operam continuamente para garantir a coleta, o transporte e o tratamento dos efluentes gerados na área urbana.
Infraestrutura que preserva e gera valor
Em Mato Grosso do Sul, a atuação da Aegea por meio da Águas Guariroba e da Ambiental MS Pantanal contribui para ampliar o acesso ao saneamento e fortalecer a proteção dos recursos naturais na Capital e em outros 68 municípios do interior. No Brasil, a companhia atende mais de 39 milhões de pessoas em mais de 890 municípios de todo o país.
Desde o início da operação da Ambiental MS Pantanal, em 2021, mais de 131,4 bilhões de litros de esgoto deixaram de chegar a rios, córregos e mananciais de Mato Grosso do Sul. Atualmente, os benefícios chegam a cerca de 2,9 milhões de pessoas no interior do estado por meio de 90 mil ligações de esgoto.
Em Campo Grande, todo o esgoto coletado por mais de 3.400 quilômetros de rede é tratado por meio das ETEs Los Angeles, Imbirussu e Botas, reforçando o papel da infraestrutura sanitária na proteção ambiental.
Mais do que uma estrutura essencial para as cidades, o saneamento contribui para preservar recursos naturais, melhorar as condições ambientais e criar bases para o desenvolvimento econômico de longo prazo. É uma infraestrutura que permanece, gera benefícios para diferentes setores e ajuda a construir cidades mais preparadas para crescer de forma sustentável.
Fonte: Águas Guariroba








