Queimadas no Pantanal: entrevista exclusiva com o Comandante-geral do Corpo de Bombeiros de MS

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O Manchete Popular conversou com o Comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Estado de Mato Grosso do Sul, Cel. QOBM, Joilson Alves do Amaral, para saber sobre as queimadas que devastam grande parte do Pantanal sul-mato-grossense. Para a reportagem ele falou sobre os trabalhos desenvolvidos e riscos que a fumaça pode causar à saúde humana. Confira a entrevista.

MP- Qual o reflexo negativo das queimadas para o meio ambiente e saúde humana?

Cel. Joilson – As queimadas têm impacto grande na sociedade por isso são importantes as medidas de prevenção. As queimadas podem proporcionar o agravamento da saúde neste período de estiagem, cuja fumaça pode agravar problemas respiratórios e congestionar ainda mais o sistema de saúde. Por isso, é tão importante o comportamento da população na área urbana para evitar a colocação de fogo em terreno baldio ou lixo. Na área rural também temos os impactos ambientais na fauna, na flora e é importante atenção das pessoas que lá vivem. Importante evitar colocar fogo, pois podem tomar maiores proporções e dificultar o combate.

MP – A que pode ser atribuído o recorde de queimadas?

Cel. Joilson – A causa principal está ligada ao fator humano. É o comportamento das pessoas que fazem com que sejam geradas os focos de incêndios. O fogo é proibido nesta época seca do ano por causa da dificuldade em controlar a propagação.

MP – O que pode ser feito para combater crime ambiental?

Cel. Joilson – Trabamos com prevenção e conscientização onde buscamos conscientizar a população sobre como se comportar na época de estiagem, além de realizarmos fiscalizações.

MP – Há um planejamento para o período de estiagem?

Cel. Joilson – O Corpo de Bombeiros Militar tem como missão fazer o combate a incêndios tanto na área urbana quanto florestal. Todo ano a corporação lança Plano de Estiagem que tem várias fases. A primeira é de preparação e prevenção, onde fazemos instruções para a tropa e manutenções nos equipamentos, preparando o efetivo para a segunda fase, que é a de resposta. O Plano vai de julho até novembro.

MP – Como está sendo a operação integrada da Operação Pantanal juntamente com as Forças armadas?

Cel. Joilson – Temos guarnições extras e viaturas para aumentar a nossa capacidade de resposta, mas chega a um limite e há então a necessidade do emprego de aeronaves para dar continuidade aos trabalhos. Nos casos de necessidade desses outros equipamentos, pedimos apoio de outras corporações. Para o combate ao incêndio no Pantanal fizemos pedido ao Ministério da Defesa que disponibilizou as Forças Armadas para somar esforços no atendimento mais eficaz.

MP – Quantos homens atuam no combate ao incêndio no Pantanal?

Cel. Joilson – Cerca de 300, entre militares do Bombeiro, Forças Armadas e servidores do Ibama. Quatro helicópteros e um avião também estão empregados.

MP – Como está a situação no Pantanal? Há risco de o fogo se alastrar para outras localidades?

Cel. Joilson – Ainda bastante crítica. Há vários focos de incêndio em muitas regiões o que gera muita fumaça e impacta para a comunidade de Corumbá. No ano passado tivemos operação grande como a deste ano, em outra região do Pantanal, e chegou ao ponto de a fumaça atingir também Campo Grande. Dependendo da proporção, o dano pode se propagar para outras localidades do Estado.

MP – Para concluir, qual a visão do Comandante da Corporação da importância das ações desenvolvidas pela Corporação, pelo Governo do Estado e pelo efetivo de Bombeiros militares empenhados na Operação?

Cel. Joilson – Neste período crítico precisamos da ajuda de vários atores. Começa pela população que tem importante comportamento para influenciar no aumento ou diminuição de queimadas. Depois, é de fundamental importância essa ajuda que estamos tendo das Forças Armadas. O Governo do Estado com o passar dos anos vem investindo na nossa corporação e aumentando a nossa capacidade de resposta. Exemplo disso é que está prevista a chegada de viaturas específicas de combate a incêndios florestais, além de uma aeronave. Será um investimento de R$ 13 milhões. Essas ferramentas são de extrema importância para o nosso trabalho.

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