Artigo: Dificilmente um paulista seria o próximo presidente do Brasil? – Cláudio Guimarães

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DIFICILMENTE UM PAULISTA SERIA O PRÓXIMO PRESIDENTE DO BRASIL. PELO MENOS É ISTO QUE A HISTÓRIA APONTA. SERÁ?

Por Cláudio Guimarães

 

Muitas coisas passam despercebidas acontecendo a nossa frente. Você já parou para pensar o que exatamente define ou não uma eleição? É comum em época de eleições analisarmos discursos políticos, partidos, propostas de campanha, perfil do candidato, mas de onde ele vem, você já parou para pensar se isto influencia ou não?

A história da sucessão presidencial no Brasil está aí para demonstrar algo interessante. Elegemos três tipos de brasileiros: não-paulistas que estabeleceram carreira em São Paulo; cariocas ou fluminenses com carreira fora do Rio de Janeiro; e mineiros. Excepcionalmente outros.

Acha loucura isto? Então vamos aos dados: o último presidente nascido em São Paulo eleito no país foi Rodrigues Alves em 1902. De lá para cá, nenhum outro eleito era natural de São Paulo, nem mesmo aqueles representantes da oligarquia paulista, no período denominado como “República do Café com Leite”.

Segundo Marcello Faulhaber, os poucos analistas que atentam para tal fenômeno (o da não eleição de paulistas para a presidência da República) tentam explicá-lo, afirmando que “…o brasileiro não-paulista se recusa a entregar o poder político aos paulistas, porque entende que estes já detém o poder econômico e financeiro do país.”

Bem, não seria inoportuno recapitular que São Paulo se rebelou contra a União na Revolução de 30. Com o movimento separatista de 1932 e o advento do Estado Novo, ficou para muitos brasileiros uma percepção – correta ou equivocada – de que os paulistas queriam subjugar os interesses do país aos seus próprios interesses. Essa imagem, por incrível que pareça, ainda é muito presente no imaginário do brasileiro.

É verdade que entre nós – brasileiros – que possuímos o hábito nem sempre elegante de criarmos alcunhas regionais (os gaúchos são conversadores; os baianos preguiçosos; os cariocas malandros etc..) fato é que quando o assunto é São Paulo, existe uma percepção (as vezes decepcionante) acerca do poder que o Estado de São Paulo e os paulistas exercem sobre o país, não sendo incomum a afirmativa de que “São Paulo é a mola propulsora do país.”

Assim, sem pretender concluir, talvez tais aspectos expliquem um pouco esse “rancor histórico” em não eleger um paulista para o Planalto.

Não se sabe até que ponto isto tem sido decisivo ou mera coincidência ou acaso. Penso que no cenário atual, diferentemente de possíveis rancores históricos, os brasileiros não façam esse tipo de análise de forma tão consciente.

De toda forma, jogando com a estatística, temos os seguintes nomes (pré-candidatos ou não) de São Paulo: Geraldo Alckmin; José Serra; João Doria; Álvaro Dias; e Fernando Haddad. Os outros nomes cogitados são todos naturais de outros Estados. Marina por exemplo é do Acre e Lula de Pernambuco.

Mas no contexto atual, parece que a história pode ter outro rumo. Jair Bolsonaro é de São Paulo (Campinas), mas fez carreira no Rio de Janeiro e Dória, apesar de ser de São Paulo, se mostrava alternativa poderosa, até se definir que seu nome seria para o governo de São Paulo. Da mesma forma, Ciro Gomes é de Pindamonhangaba, São Paulo, mas possui seu capital político formado no Nordeste, tendo se radicado em Sobral, no Ceará.

Será que a estatística permanecerá? Só o tempo e principalmente as circunstâncias dirão.

 

(*) Cláudio Guimarães é advogado e professor universitário.

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