Delegado preso em setembro volta a ser alvo de operação da PF contra esquema que movimentou R$ 500 milhões

Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa teve a residência alvo de buscas durante a Operação Ifrit; investigação apura envolvimento de agentes públicos em organização criminosa ligada ao tráfico de drogas e armas

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O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa voltou a ser alvo de uma operação policial nesta quarta-feira (4), em Mato Grosso do Sul. Preso desde setembro, durante a Operação Infiltrados, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), ele teve a residência alvo de mandados de busca e apreensão na Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal.

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A nova investigação apura a atuação de uma organização criminosa transnacional suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, comércio internacional de armas e lavagem de dinheiro. Segundo as autoridades, o grupo teria movimentado mais de R$ 500 milhões ao longo de aproximadamente dois anos.

Como Hoffman já está preso, ele não se encontrava no imóvel durante as buscas. Outro policial investigado na operação, Douglas Tobias, também havia sido preso em setembro, na mesma ação do Gaeco.

A Operação Ifrit cumpre 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária. Também foram determinadas três medidas de monitoração eletrônica e o afastamento de três policiais civis de suas funções públicas.

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De acordo com as investigações, a organização seria liderada por um núcleo familiar formado por três irmãos, filhos e outros parentes, além de contar com a participação de brasileiros e estrangeiros e possíveis vínculos com agentes das forças de segurança.

O grupo é investigado por crimes como tráfico transnacional de drogas, tráfico internacional de armas, sequestros, torturas, atentados e homicídios. Conforme a apuração, os integrantes utilizavam armamentos pesados, veículos blindados e estruturas de apoio para controlar territórios e intimidar grupos rivais.

Movimentação de R$ 500 milhões

A análise de informações bancárias, fiscais e telemáticas identificou uma movimentação superior a R$ 500 milhões durante cerca de dois anos de investigação. Os valores teriam circulado por contas de investigados, operadores financeiros, empresas de fachada e negócios simulados, utilizados para ocultar a origem e o destino dos recursos.

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A Receita Federal também identificou indícios de lavagem de dinheiro por meio de terceiros, ocultação de patrimônio e dissimulação de operações financeiras. Os elementos foram confrontados com informações obtidas por monitoramentos, interceptações e outras técnicas de investigação.

Operação Infiltrados

A nova fase das investigações ocorre cerca de 40 dias após a Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco em setembro. Na ocasião, foram cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.

As apurações começaram em outubro de 2025, a partir de elementos identificados nas operações Traquetos e Blindspot, que apontaram a participação de policiais em um esquema de desvio de drogas, principalmente cocaína.

Segundo o Gaeco, o esquema funcionava por meio da retirada de entorpecentes apreendidos em ocorrências policiais. Parte da droga deixaria de ser registrada oficialmente ou seria retirada diretamente dos depósitos de delegacias. Em seguida, os entorpecentes eram repassados a traficantes ligados à organização, que os reintroduziam no mercado ilegal.

O Ministério Público apontou que policiais investigados utilizavam suas funções públicas e estruturas de segurança para facilitar as atividades criminosas, atuando como fornecedores de drogas para o tráfico.

Entre os policiais afastados de suas funções após a Operação Infiltrados estão o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa e investigadores que atuavam em diferentes unidades da Polícia Civil, incluindo delegacias especializadas em narcóticos, homicídios, roubos e furtos, além do Grupo de Operações e Investigações (GOI).

As investigações continuam para identificar todos os envolvidos, esclarecer a participação dos agentes públicos e aprofundar o rastreamento dos recursos movimentados pela organização criminosa.

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