Muito além de moradias, ações na Aldeia Água Bonita promovem transformação social

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Quem conheceu o antes da Aldeia Água Bonita, na região norte de Campo Grande, e vê como ela está atualmente percebe a transformação. A comunidade que era composta por barracos de lona, agora conta com 79 casas de alvenaria construídas pelos próprios indígenas. 

As mudanças começaram em 2018 quando parceria entre Governo do Estado por meio da Agência Estadual de Habitação (Agehab) com a Prefeitura Municipal, através da Fundação Social do Trabalho (Funsat), entrou na comunidade levando qualificação profissional na área da construção civil e disponibilizou material para que os moradores edificassem as casas.  

A iniciativa transformou não apenas o cenário da Aldeia Água Bonita mas também a vida dos indígenas. De forma individualizada seguindo os protocolos de prevenção à Covid-19, nesta terça-feira (6) foram entregues as chaves de 25 unidades habitacionais, completando as 79 do Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR), além de 91 certificados da qualificação recebida pelos indígenas nos últimos dois anos.  

Indígena Genilsa realizou sonho da casa e ganhou uma profissão

Aos 29 anos e mãe de quatro filhos, Genilsa Francisca Farias conta que nunca tinha trabalhado em nada na área da construção, mas com a qualificação em elétrica e carpintaria pôde atuar na obra de casas de familiares e pessoas queridas. “Morávamos num barraco, então é uma sensação que não tem explicação. Um grande sonho que está se tornando real. Só agradecimento mesmo por tudo que a gente passou e estar hoje recebendo a nossa chave da casa e o certificado. Felicidade que não tem tamanho”, define.

A parceria levou desenvolvimento para a comunidade e provocou impactos muito positivos na vida das famílias, segundo o cacique Alder Romeiro Larrea. “Ver as pessoas saírem dos barraquinhos para entrarem numa casa digna que eles mesmo levantaram é muito gratificante para a gente que está desde o começo na luta”, afirma. Segundo ele, cerca de 200 indígenas passaram pela profissionalização, mas muitos deles atualmente trabalham fora dos limites da Aldeia.

Contrastes ainda presentes na Aldeia

Diretora-presidente da Agehab, Maria do Carmo Avesani conta que o trabalho conjunto com o município é fundamental para fazer um trabalho social e levar mais dignidade para os moradores. “Muitas pessoas aqui, não são as mesmas que começaram, porque muita gente se qualificou e foi trabalhar fora. E o objetivo é que quando essas pessoas recebam a casa, esse projeto gere de fato uma cidadania para as pessoas, que elas possam trabalhar e ter uma renda”, destaca.

Eletricista, encanador, pedreiro, pintor, servente e carpinteiro são as formações técnicas oferecidas aos indígenas por meio do Programa de Inclusão Profissional (Proinc). “Nesses dois anos a Funsat capacita essas pessoas para que saindo do programa elas comecem a fazer parte da geração de emprego forma”, pontua o diretor-presidente da Funsat, Luciano Martins.

A presença da assistência social da Agehab na aldeia não se resume às moradias. Segundo Maria do Carmo, as mulheres da comunidade têm recebido cursos de asseio e conservação das casas e também voltados a geração de renda, como artesanato em pano de prato, confecção de tapetes, bombons caseiros, sabão caseiro, salgados, entre outros.

 

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