Com R$ 6,4 milhões e quatro meses para se preparar, Aquidauana não conseguiu evitar colapso na saúde

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As primeiras medidas de distanciamento social para enfrentamento ao novo coronavírus começaram a ser aplicadas em Mato Grosso do Sul a partir do mês de março. O Governo Federal já repassou R$ 6,4 milhões ao município de Aquidauana para fortalecer sua estrutura e elaborar estratégias de combate ao Covid-19. Mesmo com o período de quatro meses para se preparar e os milhões de recursos recebidos da União, a gestão municipal não conseguiu estruturar sua rede de enfrentamento e a saúde de Aquidauana entrou em colapso. A cidade, que deveria ser polo regional de saúde, não encontra outra alternativa a não ser encaminhar seus pacientes para tratamento em Campo Grande.

De acordo com o Relatório de Pacientes Internados nas UTI’s da Sesau (Secretaria de Saúde de Campo Grande), a Capital conta hoje com 13 pacientes de Aquidauana que encontram-se em tratamento de Covid-19. Outros dez pacientes de cidades que pertencem à microrregião de Aquidauana e deveriam ser atendidos no Hospital Regional Dr. Estácio Muniz também foram encaminhados para Campo Grande.

Hoje, Aquidauana já conta com 508 casos confirmados de coronavírus e 17 óbitos. A reportagem apurou que o Hospital Regional da cidade encontra-se com sua usina de oxigênio totalmente sucateada, capaz de abastecer os respiradores de apenas três dos 10 leitos de CTI no local. Caso o Governo do Estado encaminhe novos respiradores para Aquidauana, os mesmos não terão utilidade devido ao estado precário da usina de oxigênio.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul aprovou em 17 de junho o estado de calamidade pública para Aquidauana. Naquele dia, a cidade ainda não havia registrado nenhum caso de Covid-19, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. Mesmo com todo o tempo que teve para se preparar, além é claro dos R$ 6,4 milhões que recebeu do Fundo Emergencial de Saúde para combate ao coronavírus, a gestão municipal de Aquidauana viu sua saúde colapsar em menos de dois meses.

O que se vê hoje é uma cidade que deveria ser polo regional de saúde não conseguir absorver sequer sua própria população. A gestão municipal, que vem atrasando o pagamento dos médicos do Hospital Regional de Aquidauana há três meses, não presta conta dos R$ 6,4 milhões recebidos do Fundo Emergencial de Saúde.

Despreparo, falta de gestão e de transparência. Elementos que tornaram o colapso na saúde de Aquidauana inevitável.

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